Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte. E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em...bem, essa é a magia! Isso é SPOILER! Isso é cinema!

30.6.04

Festival de Gramado anuncia seleção de filmes


O Festival de Gramado anunciou ontem os filmes selecionados de sua 32.ª edição, que acontece de 16 a 21 de agosto. De 47 inscritos, 5 longas de ficção disputarão o prêmio da categoria brasileira: O Quinze, de Jurandir Oliveira, As Filhas do Vento, de Joel Zito Vianna, Brilho das Coisas, de Helena Solberg, Araguaya, Conspiração do Silêncio, de Ronaldo Duque, e Procuradas, de Zeca Pires e José Frazão. Entre os latinos, houve 27 inscritos, dos quais Vereda Tropical (Argentina), de Javier Torre, e Suite Habana (Cuba), de Fernando Pérez, foram escolhidos. Outros dois longas da categoria serão anunciados em breve. O troféu dos documentários será disputado por quatro filmes, de 32 inscritos: Cárcere, de Liliana Sulzbach, Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia, de Evaldo Mocarzel, Tempo de Resistência, de André Ristum, e Soldado de Deus, de Sergio Sanz. Serão exibidos ainda 25 curtas e médias-metragens em competição. Fora da competição será exibido um dos filmes mais aguardados do ano, "Olga", de Jayme Monjardim, com Camila Morgado no papel de Olga Benario. Este ano, Gramado vai homenagear a diretora Tizuka Yamasaki, com o troféu Eduardo Abelin, e o ator Lima Duarte, que recebe o troféu Oscarito.

Veja a relação dos filmes em competição. Clique aqui para conferir outras informações no site do festival

Filmes em competição - longas-metragens de ficção brasileiros

O QUINZE - (Brasil / RJ / 2003/ 107¿) Diretor: Jurandir Oliveira Roteiro: Jurandir Oliveira Elenco: Juan Alba Jurandir Oliveira Haroldo Serra Carry Costa Maria Fernanda Karina Barum Soia Lira, Marisa Maia Vivian Duarte Fernanda Garcez

Estamos no ano de mil novecentos e quinze em pleno sertão central do estado do Ceará. Ano da grande seca que dizimou uma boa parte da população pobre do estado. Uma Jovem professora (Conceição) que trabalha em Fortaleza, vai passar férias na fazenda da avó (Mãe Inácia) no município de Quixadá e lá, além de conviver com o flagelo da seca, se envolve emocionalmente com um primo (Vicente). Vicente é fazendeiro e está também apaixonado pela prima, só que concentrado em salvar o gado da fome e da praga de carrapatos que assola o sertão. Baseado no romance de Rachel de Queirós.

AS FILHAS DO VENTO - (Brasil / RJ / 2003/ 85¿) Diretor: Joel Zito Viana Roteiro: Di Moretti Elenco: Milton Gonçalves, Rocco Pitanga, Kadú Carneiro, Zózimo Bulbul Jonas Bloch, Ruth de Souza, Léa Garcia, Taís Araujo, Maria Ceiça, Danielle

Reunindo o maior elenco negro, jamais visto em um filme brasileiro, o primeiro longa metragem de ficção do aclamado documentarista Joel Zito Araújo é uma movimentada e complexa estória de redenção amorosa entre irmãs, mães e filhas. Filhas do Vento aborda temas pertinentes às mulheres de qualquer parte do mundo, mas numa pequena cidade do interior do Brasil os fantasmas da escravidão e do racismo afetam a vida das personagens de forma sutil.

O BRILHO DAS COISAS - (Brasil / RJ / 2004/ 101¿) Diretor: Helena Solberg Roteiro: Elena Soares Elenco: Dalton Vigh, Camilo Bevilacqua, Benjamim Abras, Elvécio Guimarães, Ludmila Dayer, Daniela Escobar, Maria De Sá, Lolô Souza Pinto, Lígia Cortes

Tendo como pano de fundo um Brasil que acaba de abolir a escravatura e proclamar a República, Helena Morley começa a escrever o seu diário, que nos revela seu universo e um país que adolesce junto com a menina. Nesse momento da vida, Helena é magra, desengonçada, e sardenta: se acha feia. Não é boa aluna, nem comportada como sua irmã Luizinha; seu apelido é ¿Tempestade¿. Mas Helena, como nenhuma outra garota de Diamantina, escreve. É nesse diário que Helena debocha e desmascara as pretensas virtudes alheias. Helena Morley é o diamante mais raro de Diamantina.

ARAGUAYA, CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO - (Brasil / F / 2003/ 105¿) Diretor: Ronaldo Duque Roteiro: Ronaldo Duque Elenco: Norton Nascimento Danton Mell, Stephane Brodt, Rômulo Araújo William Ferreira Rosane Holland, Fernanda Maiorano, Mariza Leão Françoise Forton

O exército brasileiro no auge da ideologia da segurança nacional, um partido de esquerda dissidente, militantes aguerridos (a maioria deles ainda jovens e inexperientes), inocentes camponeses e uma região onde a ambição e a miséria disputavam lugar palmo a palmo. Esse é o cenário do filme de ficção baseado em extensa pesquisa empreendida pelo realizador e roteirista Ronaldo Duque sobre a Guerrilha do Araguaia, um dos episódios mais importantes de nossa história contemporânea.

PROCURADAS - (Brasil / SC / 2004/ 90¿) Diretor: Zeca Pires e José Frazão Roteiro: José Frazão Elenco: Juan Alba , Luigi Cutollo, Ricardo Von Busse , Jano Moskorz, Édio Nunes, Marcelo Perna, Severo Cruz, Maurício Bosco, Zica Vieira, Ivan de Sá, Morvan Silva, entre outrososa

Dois executivos, um solteiro e outro casado, resolvem sair num veleiro com duas garotas de programa. Durante a noite elas desaparecem misteriosamente. As evidências de um crime deixam um clima de desconfiança entre os dois amigos. Simultaneamente, uma diretora de documentários (Rita Guedes) reúne depoimentos de algumas garotas de programas e encontra Viviane (Larissa Bracher), a irmã de Isa (Paula Burlamarqui) - uma das meninas desaparecidas. Juntas, as duas iniciam uma investigação para tentar localizá-las.Filmado em Florianópolis

Filmes em competição - longas-metragens de ficção latinos

VEREDA TROPICAL (Argentina / 2004 / 102¿) Diretor e roteiro: Javier Torre

O exílio do escritor argentino manuel Manuel Puig no Rio de Janeiro, nos anos 80. Sua relação com a literatura e sua condição homosexual. Seus amores, suas frustrações e sua partida para o México.

SUITE HABANA - (Cuba / 2003 / 80¿) Diretor: Fernando Pérez

Amanhece em Havana. A cidade desperta e começa um dia e o filme.Porque um dia em Havana? Porque Havana, hoje, é um ponto de referência para muitos, um mistério para outros e um sonho cheio de contradições e contrastes para os que a amam ou a criticam. Mas Havana não é só um espaço, uma sonoridade, uma luz. Havana é sua gente. O filme se passa em um dia qualquer na vida de dez habaneros comuns. Não há diálogos, nem entrevistas, nem narração. Só imagens, sons e música.

Filmes em competição - longas-metragens - documentários

CÁRCERE - Brasil / RS / 2004 / 80¿

Diretor: Liliana Sulzbach Roteiro: Liliana Sulzbach e Angela K. Pires

Cláudia, 54 anos, é a presidiária mais antiga e respeitada da Penitenciária Madre Pelletier. A que dá ordens e que protege. Protege, por exemplo, Daniela, 19 anos, que corre risco de vida. Mas Cláudia, assim como Betânia, 27 anos, deve deixar a penitenciária em breve. Daniela ficará para trás, Cláudia e Bet! ânia vão enfrentar o que vem pela frente.

MENSAGEIRAS DA LUZ - PARTEIRAS DA AMAZÔNIA - Brasil / SP / 2003 / 72¿ Diretor e roteiro: Evaldo Mocarzel

Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia é um documentário em 35mm com 72min. de duração que focaliza a vida das parteiras tradicionais do Estado do Amapá. Utilizando técnicas indígenas milenares, elas ajudam no nascimento de bebês por todo o Estado, atravessando as grandes distâncias que dificultam o acesso entre as comunidades espalhadas pela selva amazônica, alagados e cerrados. E depois cumprem outra importante função social: são elas que fazem o cadastro de nascimentos nos povoados.

TEMPO DE RESISTÊNCIA - Brasil / SP / 2004 / 115¿ Diretor: André Ristum Roteiro: Ícaro C. Martins

O foco do documentário é a luta guerrilheira contra a ditadura nos anos 60 e inicio dos 70, a partir do ponto de vista de seus integrantes na época, enfocando principalmente os integrantes do movimento Estudantil, fazendo uma avaliação do que foi a resistência armada no Brasil, em seu período mais crítico, com todos seus erros e acertos. Assim, trata-se da conjuntura do Golpe de 1964, as

SOLDADO DE DEUS - Brasil / RJ / 2004 / 80¿ Diretor e roteiro: Sergio Sanz

É um documentário sobre o integralismo de Plínio Salgado. Um breve retrato da direita ideológica brasileira.



6.6.04

O nome dele é Bond. James Bond! - Parte 1


James Bond nasceu em 1953, data de publicação do romance Casino Royale, do jornalista e escritor londrino Ian Fleming (1908-1964).

Com a perícia adquirida na 2ª Guerra Mundial, quando colaborou com a British Naval Intelligence, Fleming elaborou um agente secreto elegante mas obstinado, sedutor mas implacável, e muito bem humorado. Como identidade secreta, criou dois números, os dois "00" que representam licença para matar, mais um "7", referente ao seu posto no Serviço Secreto Britânico.

Pronto. Com algumas tralhas tecnológicas, tramas mirabolantes, vilões lunáticos e muitas mulheres sensuais, nascia uma fórmula de sucesso e de diversão. A série de livros, que se estende por quinze títulos, foi adaptada para os cinemas a partir de 1962. Hoje, mesmo depois de quarenta anos, a franquia oficial chega vigorosa ao seu filme de número vinte, 007 - um novo dia para morrer.

Conheça agora os detalhes da carreira de 007 nas telonas:

007 contra o satânico Dr. No (1962)


A primeira aventura do espião custou apenas 1 milhão de dolares. Quando o orçamento da produção alcançou os 100 mil, a United Artists, detentora dos direitos da personagem, ao lado da MGM, pensou em jogar a toalha e desistir da "cara" produção, com medo de não recuperar o investimento. No fim das contas, a bilheteria bateu recordes e a venda de biquínis estourou pelo mundo, graças ao traje clássico que Ursula Andress, a mais célebre Bond-girl, utiliza em grande parte do filme. O londrino Roger Moore era o preferido de Fleming para assumir o papel de Bond, mas ele se viu ocupado com a série televisiva The Saint, deixando, assim, a personagem para a consagração de Sean Connery.

Na história, Bond é enviado à Jamaica para investigar a morte de um agente britânico e de seu secretário. Durante a investigação, descobre os planos de um certo Dr. No (Joseph Wiseman), um cientista nuclear chinês que encontra uma maneira de desviar a rota dos foguetes norte-americanos lançados a partir do Cabo Canaveral.

Acessórios: a clássica pistola Whalter PPK calibre 7.65mm, uma pistola Beretta 0.25mm e um medidor de radioatividade.

Moscou contra 007 (1963)


As coisas começam a se definir no mundo de Bond. A trilha-sonora, composta por John Barry, surge pela primeira vez. O orçamento da segunda película chega a 2 milhões, o dobro da primeira. Para se ter uma idéia, só o cenário do vulcão em Com 007 só se vive duas vezes já chega ao custo de Dr. No.

As cenas de ação também se intensificam. Sean Connery e Terence Young, inclusive, correram risco de morte em dois acidentes de helicóptero. Outro detalhe crucial: Desmond Llewelyn (1915-1999) assume o papel de Major Boothroyd, o auxiliar de Serviço Secreto perito em tecnologia. No próximo filme, a personagem já será conhecida como o célebre Q. Llewelyn interpretou-a em dezessete filmes (todos os subseqüentes, menos em Viva e deixe morrer, em que Q não aparece), até O Mundo não é o bastante. Trata-se do ator recordista máximo em atuações sob a mesmo personagem.

Desta vez, 007 (Connery) alia-se a ex-espiões da KGB para roubar um aparelho decodificador do governo soviético, localizado em Istambul, na Turquia. Mas quando Bond consegue o intento, surge a organização que, a partir daquele momento, vai se tornar a maior inimiga do herói: a S.P.E.C.T.R.E., Special Executive for Counterintelligence, Terrorism, Revenge and Extortion. Robert Shaw (o pescador veterano de Tubarão) faz o musculoso capanga da organização, que pretende adquirir o decodificador e eliminar 007.

Acessórios: um rifle AR7 calibre 0.25 com mira infra-vermelha, um cabo para estrangulamento que sai do relógio, uma maleta com uma faca escondida na lateral, uma maleta falsa que lança um gás explosivo, um beeper e um telefone dentro do carro.

007 contra Goldfinger (1964)


Tido por muitos como o melhor filme de Bond, apresenta locações exóticas e variadas, como América do Sul, Miami, Kentucky, Londres e Suíça, além de introduzir situações e desfechos mirabolantes, como um raio laser do qual Bond escapa no último instante, ou como o clássico desligamento de uma bomba pelo agente secreto a três segundos da explosão. Outra bizarrice que dá o tom do filme: Oddjob, o capanga de Goldfinger, mata seus adversários arremessando um chapéu com lâminas.

Ian Fleming inspirou-se no arquiteto húngaro Erno Goldfinger para nomear a personagem-título. Dentre suas criações, o arquiteto projetou a Ponte Trellick de Londres, em 1968. No filme, Gert Fröbe interpreta Auric Goldfinger, um contrabandista de ouro (dãa), milionário e jogador, que planeja roubar simplesmente o Fort Knox dos Estados Unidos. Sean Connery dá um baile, ganha de Goldfinger no carteado, no golfe e, pra valer, na fuga final, quando o vilão cai de um avião.

Acessórios: a estréia do automóvel Aston Martin DB5 (cujo assento ejetor funcionava de verdade), uma pistola com cabo e gancho para escalada, um rastreador, um traje de mergulho com uma gaivota de mentira no snorkell, um parquímetro com gás lacrimogêneo (laboratório de Q) e uma jaqueta à prova de balas (laboratório de Q).

007 contra a chantagem atômica (1965)


Idealizado para ser o primeiro filme da série, acabou substituído por Dr. No, devido a uma pendenga judicial entre Ian Fleming e o co-autor da história, Kevin McClory - que alega ter sido ele, não Fleming, o criador da S.P.E.C.T.R.E.

É também o único longa que possui uma refilmagem, Nunca mais outra vez, realizada exclusivamente pelo co-autor, fora da série oficial. E como McClory tinha predileção por mergulho, 007 contra a chantagem atômica apresenta inúmeras seqüências aquáticas, como o primeiro tanque de tubarões da série (onde o dublê Bill Cumming foi convencido a entrar graças a um bônus de US$ 450,00) ou o desfecho à bordo de um potente iate.

Aqui, a S.P.E.C.T.R.E. volta a agir, desta vez personificada no segundo homem mais poderoso da organização, o vilão Emilio Largo (Adolfo Celi), reconhecido pelo indefectível tapa-olhos. Ele lidera um maligno plano de destruição, ao roubar duas bombas atômicas, escondê-las sob o oceano, e chantagear os governos mundiais em troca de 100 milhões dólares.

Os britânicos enviam todos os seus "00" atrás da S.P.E.C.T.R.E., mas apenas Bond (Connery) segue as pistas que levam às Bahamas - e consegue salvar a pátria.

Acessórios: automóvel Aston Martin DB5, unidade de propulsão submarina, jato portátil (que funcionava de verdade), relógio com medidor de radioatividade, câmera fotográfica com visão infra-vermelha, respirador bucal para mergulho com duração de quatro minutos e sinalizador em miniatura.

Com 007 só se vive duas vezes (1967)


A paródia de Dr. Evil na série Austin Powers não existiria sem o modelo precioso de Ernst Blomfeld (Donald Pleasence), o manda-chuva da S.P.E.C.T.R.E. O arqui-rival de James Bond é um arquétipo do vilão moderno: careca, com uma cicatriz gigante passando verticalmente pelo olho direito, falava mansamente enquanto alisava o seu gato branco. Nos filmes anteriores que envolviam a organização, Blofeld apenas aparecia como um vulto ou uma voz. Aqui, só se revela no final do filme, mata o seu capanga Osato (Teru Shimada) por incompetência e, para completar, conta minuciosamente o seu plano maligno para 007. Lógico, Blofeld foge no final.

A história acontece no Japão, mas um complexo prólogo antecede a ação. Quando uma espaçonave norte-americana desaparece durante uma missão, a culpa cai sobre os soviéticos. Em seguida, quando um similar russo se perde, a situação soa como retaliação dos Estados Unidos. Quando a guerra se mostra iminente, Bond (Connery) segue uma série de pistas que o levam até o Mar do Japão. No país, 007 passa por cidadão japonês e chega até a se fingir de morto para escapar da perseguição da S.P.E.C.T.R.E., a verdadeira responsável pelo sumiço das naves.

Acessórios: um traje protetor com oxigênio (para a hora do enterro falso), um decifrador de combinação de cofre, um cigarro munido com dardos, um bastão de madeira com lâmina na ponta, ventosas de escalada e o carro é um Toyota 2000 GT.

007 a serviço secreto de Sua Majestade (1969)


Há alguns anos, Sean Connery já andava descontente com o excesso de participações na série. Durante as entrevistas do filme anterior, no Japão, a imprensa insistia em chamá-lo de James Bond. Além disso, ele e sua mulher eram perseguidos por fotógrafos.

Para não agravar o ânimo do ator, que tentava fugir de tal estigma, o estúdio revogou a obrigação contratual que exigia a participação em mais uma película. O papel foi oferecido a dois futuros Bonds, Roger Moore e Timothy Dalton, mas ambos declinaram. Assim, foi feita uma triagem entre mais de 400 atores, de onde o australiano George Lazenby, ex-vendedor de carros e ex-modelo, saiu vencedor.

Outro detalhe: antes de dirigir, Peter R. Hunt era o montador dos filmes de Bond. John Glen o substitui na edição e, a partir de 1981, também assume a direção.

A trama é atípica. Bond inicia a jornada com um pedido de demissão, uma vez que não conseguiu encontrar o foragido Blofeld (Telly Savalas, careca, mas sem a cicatriz). Em viagem por Portugal, o ex-agente apaixona-se por Tracy Draco (Diana Rigg), filha de um gângster (Gabriele Ferzetti). Surpreendentemente, o bandido oferece ajuda para encontrar Blofeld, contanto que Bond se case com Tracy. Quando descobre que seu arqui-rival agora planeja destruir a agricultura do mundo com um vírus letal, 007 retorna ao Serviço Secreto. No fim das contas, com a situação resolvida, o agente se casa com a moça, mas Blofeld, que era dado como morto, mata Tracy e foge novamente.

Uma das teorias para a galinhagem de Bond é que ele resolve curtir a vida depois que sua esposa é assassinada. Com 007 a serviço secreto de Sua Majestade, a hipótese ganhou força. O filme é muito bom, aliás, apesar da falta de carisma de Lazenby. Uma série de perseguições na neve marca o início de outra peculiaridade da série.

Acessórios: 2 em 1 - abridor de cofres e fotocopiadora, câmera fotográfica miniatura.

Os diamantes são eternos (1971)


O desempenho de Lazenby não agradou. O ator justifica a sua saída dizendo que abandonou a personagem acreditando que a fórmula do super-espião iria se tornar anacrônica na Era de Woodstock. Em todo caso, um cachê reforçado consegue trazer Connery de volta - 1,25 milhão de dólares, recorde na época, mais a promessa de que a United Artists realizaria dois filmes "não-007" com Connery, à sua escolha. Mais tarde, o escocês doou seu cachê para a Scottish International Trust.

A trama acontece em Las Vegas, onde o Serviço Secreto suspeita que se concentra uma máfia de contrabando de diamantes sul-africanos. Ao mesmo tempo, cria-se uma trama de dominação mundial, mas a diversão concentra-se mesmo nos cassinos do deserto e nas perseguições de carro pelas avenidas iluminadas de Las Vegas. De novo, Bond descobre que Ernst Blofeld, agora na pele do ator Charles Gray, esconde-se por trás da direção do cassino. Para piorar, o arqui-rival encontra uma maneira de se clonar. Antes de encurralar o verdadeiro vilão, Bond elimina uma porção de carecas malignos. Destaque também para os divertidos assassinos Mr. Wint (Bruce Glover) e Mr. Kidd (Putter Smith), as únicos personagens homossexuais com destaque na série.

É a última aparição de Ernst Blofeld e da S.P.E.C.T.R.E. na série oficial, uma vez que Kevin McClory obteve a exclusividade das personagens na justiça (ver Thunderball) e se dedicou a filmar a sua versão de 007 contra a chantagem atômica.

Acessórios: pistola com gancho para escalada, uma ratoeira de bolso, kit de impressão digital removível, máquina de modificação de voz, controlador de eletromagnetismo (recomendado para manipular máquinas de cassino).

Viva e deixe morrer (1973)


A estréia do londrino Roger Moore, a trilha sonora de Paul McCartney e um ótimo naipe de vilões são os atrativos do oitavo filme da franquia.

Uma vez que Connery dispensou a astronômica quantia de 5,5 milhões para viver a personagem, começou outra corrida atrás do protagonista. Cogitou-se escalar um norte-americano para o papel, nomes como Paul Newman, Burt Reynolds e Robert Redford, mas o produtor Albert R. Broccoli (1909-1996), responsável pelos dezesseis primeiros filmes, preferiu um britânico, aquele que era a opção de Fleming desde a primeira película. Assim como o atual Pierce Brosnan, Moore imprimiu um humor sarcástico à personagem, conhecida na época pela sua elegância.

Aqui, 007 é enviado a Nova York para investigar a morte de diversos investigadores ligados ao tráfico local de heroína e à figura do chefão criminoso Mr. Big (Yaphet Kotto). Suas pistas levam a uma ilha caribenha, de posse do diplomata Dr. Kananga (também Kotto), onde Bond descobrirá a sinistra ligação entre as duas pessoas.

No caminho do espião, uma cartomante (Jane Seymour, a recordista suprema de transas, que Bond seduz com um baralho de Tarô marcado), um mestre do vudu que se deita com serpentes (Geoffrey Holder) e um assassino com mecanismos biônicos no lugar da mão direita (Julius Harris).

Viva e deixe morrer também possui uma das façanhas mais incríveis da série, quando Bond escapa de um criadouro de crocodilos pulando sobre uma fileira alinhada dos répteis. Como nenhum dublê ousou se arriscar, o próprio dono dos animais, Ross Kananga, tentou a acrobacia. Conseguiu na quinta tentativa, utilizando botas de couro de crocodilo! Na terceira chance, os bichos já sabiam do truque e insistiam em manter a boca aberta. Na quarta, Kananga levou uma dentada no sapato. O nome do vilão é uma homenagem ao bravo dublê improvisado.

Acessórios: uma Magnum 0.44, uma pistola com balas de ar comprimido (que inflam o objeto atingido), um relógio digital (na época era uma inovação e tanto!), um rolex com imã e serra de corte, um comunicador disfarçado de isqueiro, um detector de escutas escondidas e uma escova de cabelo com comunicador morse.

007 contra o homem da pistola de ouro (1974 )


Um dos últimos romances de Fleming, cujo rascunho foi publicado postumamente, em 1965. Na história, Bond (Moore) é enviado à China e à Tailândia para investigar uma suposta engenhoca letal que utiliza energia solar. O espião acaba atraído à exótica ilha de Francisco Scaramanga (Christopher Lee), um excêntrico milionário, colecionador de bizarrices - como um auxiliar anão, Nick Nack (Herve Villechaize), conhecido anos depois como o Tattoo de Ilha da Fantasia. Inicialmente, o papel do vilão Scaramanga foi oferecido a Jack Palance, mas Lee, primo de Fleming, levou o páreo. Assim, os fãs puderam assistir a um desempenho brilhante do ator.

A personalidade do vilão se revela no final, quando o espião finalmente chega à ilha e é bem recebido por Scaramanga, um admirador de 007. Lee demonstra bem a dualidade do personagem, um anfitrião exemplar, mas também um assassino meticuloso, perito em disparos com a arma do título - uma aparato de pequeno porte, que não atirava de verdade, composto pela equipe técnica de uma caneta esferográfica, um porta-cigarros, um isqueiro e uma abotoadura. As balas eram de ouro puro, confeccionadas em Macau. O duelo final entre os dois protagonistas é o ponto alto do filme.

Acessórios: uma câmera fotográfica lança-foguetes (no laboratório de Q), um mamilo de mentira (da mesma categoria da impressão digital remomível) e um rastreador.




O nome dele é Bond. James Bond! - Parte 2


O espião que me amava (1977)


Um dos pontos altos da série, a película toma certas liberdades em relação ao romance original, escrito por Ian Fleming em 1962. No livro, de maneira inédita, a narrativa tem o ponto-de-vista da heroína. James Bond aparece pela primeira vez apenas na segunda metade da história.

No filme, o equilíbrio volta à norma regular: Barbara Bach faz uma espiã russa (cuja identidade secreta é XXX), que pretende matar Bond (Roger Moore), para se vingar da morte de seu namorado, mas, seduzida, acaba ajudando 007 na busca de dois submarinos nucleares, um russo e um norte-americano, roubados pelo megalomaníaco Karl Stromberg (Curt Jürgens) e escondidos em uma formidável fortaleza submersa.

Com boas cenas de ação, como a seqüência de abertura numa montanha de esqui, ou a perseguição automobilística que se transforma em subaquática, o filme deixa de lado a linha bem-humorada que marca os filmes de Moore. E mais. Com uma canção marcante, "Nobody does it better", cantada por Carly Simon, mais um vilão carismático, o gigantesco Jaws, O espião que me amava tornou-se um campeão da Sessão da tarde.

O norte-americano Richard Kiel, com seus 2,30m, ainda retornaria mais uma vez ao papel de Jaws, o capanga com dentes de aço que morde tubarões, mas acaba pendurado pela mandíbula em um imã gigante. Detalhe: Kiel utilizava a dentadura metálica apenas quando a personagem abria a boca, uma vez que os dentes eram tão dolorosos que o ator não conseguia suportar mais que trinta segundos com eles.

Acessórios: uma Lotus Esprit (que se transforma em submarino), um relógio com receptor de mensagens escritas, 2 em 1 - suporte de esqui e pistola, um ampliador portátil de micro-filmes, um cigarro que emite gás atordoante, um jet ski (conhecido na época como "wet bike"), um narguilé (aqueles cachimbos árabes enormes) que se transforma em metralhadora (no laboratório de Q), uma bandeja de chá que corta cabeças (no laboratório de Q), uma cadeira ejetora (no laboratório de Q) e um disparador de concreto líquido (no laboratório de Q).

007 Contra o Foguete da Morte (1979)


Apesar do sucesso nas bilheterias (orçamento de 30 milhões de dólares e 200 milhões de lucro), é considerado por muitos como um dos piores filmes de Bond, devido ao excesso de situações "engraçadinhas" e à trama mirabolante - um exagero até para o padrão da franquia.

Foi escolhido como o lançamento da vez devido ao sucesso de tramas intergalácticas como Guerra nas estrelas (Star wars, de George Lucas, 1977) e Contatos imediatos de terceiro grau (Close encounters of the third kind, de Steven Spielberg, 1977). Desta vez, Bond (Moore) passa pelo Rio de Janeiro, pela Amazônia, e, pela primeira vez, alcança o espaço, onde luta contra o lunático milionário Hugo Drax (Michael Lonsdale) para destruir a terrível arma do título e evitar um genocídio na Terra.

Jaws retorna devido aos insistentes pedidos dos fãs da série. Aqui, ele é contratado por Drax para substituir Chang (Toshiro Suga), o capanga morto por Bond. Um dos encontros entre os rivais é clássico. O espião duela contra Jaws em pleno bondinho do Pão-de-Açucar, de onde o vilão sai combalido e apaixonado por uma ruiva de aparelhos nos dentes, Dolly (Blanche Ravalec). No final do filme, Dolly é responsável pela comoção do brutamontes, que acaba ajudando Bond a escapar do Foguete da Morte.

Acessórios: uma lancha, um lança-dardos de pulso, um porta-cigarros com decifrador de combinação de cofre, uma câmera fotográfica em miniatura, um relógio explosivo, boleadeiras explosivas (no laboratório de Q), um manequim com metralhadora escondido debaixo de um suposto chicano tirando uma sesta com sombrero (no laboratório de Q) e uma pistola de laser portátil (no laboratório de Q).

Somente para seus olhos (1981)


No décimo-segundo filme, os produtores da franquia decidiram deixar de lado os acessórios fantasiosos e os efeitos grandiosos e voltar às raízes, ao velho thriller e aos vilões "humanos" dos tempos de Sean Connery. Assim, um Roger Moore mais sério retoma a luta contra os soviéticos, para reaver um artefato perdido em um naufrágio, que controla as coordenadas de ataque dos submarinos ocidentais. Ao seu lado, o espião conta com Melina Havelock (Carole Bouquet) uma mulher em busca de vingança pela morte de seu pai.

O tratamento de 007 em relação às mulheres serve como um exemplo para essa postura mais madura. Primeiro, em certa passagem, Bond visita o túmulo de sua mulher, Tracy Draco, assassinada por Ernst Blofeld, uma referência a 007 a serviço secreto de Sua Majestade, de 1969. Em seguida, recusa-se ostensivamente a transar com a patinadora Bibi (Lynn-Holly Johnson), uma típica bond-girl com dois neurônios, apesar das insistentes investidas da moça. O fato do ator Bernard Lee (1908-1981), intérprete do chefe M desde o início da franquia, ter morrido durante a pré-produção, acentua ainda mais o tom sóbrio de Somente para seus olhos.

Acessórios: uma Lotus Turbo, um gravador em miniatura, um relógio digital com rádio-comunicador, uma besta (utilizada por Melina), um disparador de braço de gesso (no laboratório de Q) e um guarda-chuva com varetas afiadas (no laboratório de Q).

007 contra Octopussy (1983)


O tom mais realista do filme anterior parece não ter agradado tanto os fãs. Voltam os vilões misteriosos e excêntricos, personificados na figura de Octopussy (Maud Adams), uma contrabandista que utiliza um exótico circo como fachada de suas operações ilegais, que envolvem um brilhante roubado, um milionário indiano e um general russo interessado na Terceira Guerra Mundial. Graças à justificativa do picadeiro, um elenco de capangas bizarros aparece para eliminar o agente, desde um brutamontes de esmigalha dados, passando por gêmeos atiradores de facas, até um homem com seu letal iô-iô.

Como curiosidades, 007 contra Octopussy marca a primeira participação de Q como um ativo agente durante uma missão. Traz, também, Robert Brown como M, papel que exercerá até 1989. Na era de Pierce Brosnan, Judi Dench assume a chefia do Serviço Secreto.

Acessórios: um balão, um mini-jato Acrostar, uma maleta com compartimento secreto, um relógio digital com rastreador, uma caneta com ácido solvente, um barco disfarçado de crocodilo, um relógio com câmera e tela de cristal líquido, uma corda indiana controlada por controle remoto (no laboratório de Q) e um batedor de porta que aciona uma abertura repentina e esmagadora (no laboratório de Q).

Nunca mais outra vez (1983)


Durante a temporada de 1983, 007 contra Octopussy teve um adversário incomum nas bilheterias: o próprio James Bond.

Como saldo de sua vitória nos tribunais pelos direitos de 007 contra a chantagem atômica, Kevin McClory ganhou o direito de refilmá-lo. Assim, a película não consta da franquia oficial, mas a presença de Sean Connery no papel principal faz da fita uma citação obrigatória. Na época, o ator escocês aceitou interpretar o agente por 5 milhões de dólares e por total autonomia nas decisões da produção. Como havia dito em 1971 que nunca mais retornaria à personagem, ficou acertado que o título seria renomeado como Never say never again.

A trama central se repete, mudam os atores. Claudine Auger fazia a bond-girl Domino, agora chamada Domino Patachi (Kim Basinger); Adolfo Celi interpretava Emilio Largo, o segundo homem da S.P.E.C.T.R.E., agora conhecido como Maximillian Largo (Klaus Maria Branduer). Q, W e Moneypenny estão presentes, mas a canção título e a seqüência de abertura ficam de fora, assim como o martini agitado ou a apresentação "Bond, James Bond". No fim das contas, mesmo com a direção do talentoso Kershner (de O Império Contra-Ataca), o filme vale por seu caráter grotesco: um Connery grisalho, acima da idade, e uma participação inusitada de Rowan Atkinson, o Mr. Bean.

Acessórios: uma motocicleta Rocket, um explosivo com detonador por controle remoto, uma caneta com mini-foguete, um beep que atrai tubarões, um relógio com laser, e um míssil com compartimento para uma pessoa e plataforma voadora.

007 na mira dos assassinos (1985)


Roger Moore, o Bond recordista de atuações, com sete oportunidades, diz adeus à série em meio a grandes saltos: pula de desfiladeiros com seu snowboard, pula da Torre Eiffel e... pula da Golden Gate de São Francisco. Moore afasta-se devido à sua idade já avançada, mas duela com energia contra dois vilões de primeira linha, Christopher Walken, no papel de um magnata da informática, e sua truculenta segurança, interpretada pela modelo e cantora Grace Jones.

Na trama, Max Zorin (Walken) planeja destruir seus concorrentes do Vale do Silício, na Costa Oeste dos Estados Unidos, com um grande terremoto, ao som de Duran Duran, o grupo escalado para compor a canção-título do filme.

Acessórios: uma lancha em forma de iceberg, um rastreador de microchips, um mini-robô de estimação (no laboratório de Q), 2 em 1 - barbeador elétrico e detector de escutas, um óculos com ajuste para ver através de vidros fumê e espelhados, um copiador de cheques, uma câmera acoplada em um anel, e um abridor de trancas no formato de cartão-de-crédito.

007 marcado para morrer (1987)


O galês Timothy Dalton já era cogitado para assumir o papel de James Bond desde o primeiro afastamento de Sean Connery, em 1969. No entanto, Dalton era considerado jovem demais. Para seu azar, conseguiu o papel em um momento histórico difícil para o agente secreto. A série atravessava uma crise criativa, a Guerra Fria não rendia mais histórias como antes e, para dificultar ainda mais a vida de 007, o sexo livre havia perdido espaço na era da AIDS. Em meio à nova monogamia, Dalton ofereceu uma interpretação mais humana, mais reflexiva, sem o charme ou o humor do espião intocável e infalível dos anos anteriores.

Na trama, Bond agora precisa ajudar um ex-general da KGB, Georgi Koskov (Jeroen Krabbé), a chegar à Inglaterra, enquanto a assassina Kara (Maryam d'Abo) tenta sabotar a investida. No entanto, o agente acaba surpreendido por algumas reviravoltas que o colocam na prisão, no centro de uma intriga internacional e na mira dos soviéticos. Apenas em 2002, quando sofre a tortura dos norte-coreanos de Um novo dia para morrer, James Bond passaria por penúria semelhante.

Acessórios: um Aston Martin V8 Volante, um rifle Walther WA-2000, binóculos de bolso, um módulo de viagem tubular trans-Sibéria, 2 em 1 - rastelo e detector de armas, garrafas de leite explosivas, chaveiro 3 em 1 - explosivo plástico, emissor de gás atordoante e abridor de trancas, um micro-system com lança-foguetes (no laboratório de Q) e um sofá que engole pessoas (no laboratório de Q).

Permissão para matar (1989)


O primeiro filme de Bond cujo título não remete a nenhum dos romances de Ian Fleming, mas a um conto criado originalmente para uma série de Televisão de 007, que nunca saiu do papel. Aliás, o título pode parecer redundante, uma vez que os "00" de Bond já configuram a tal licença. Todavia, na verdade, resume bem o espírito do filme, um dos mais violentos da franquia, em que a trama resume-se à vingança do espião contra aqueles que mataram seu melhor amigo, o agente norte-americano Felix Leiter, introduzido na série em 1962 e presente em outros seis episódios.

Destaque para os vilões: o barão mexicano do tráfico Franz Sanchez, interpretado por Robert Davi (mais conhecido como o mais velho dos irmãos Fratelli em Os Goonies), e seu assassino Dario, interpretado pelo ainda desconhecido Benicio Del Toro.

Depois de Permissão para matar, a série atravessou um ocaso de seis anos, devido ao fracasso nas bilheterias, a outra discussão judicial entre os realizadores e à morte do roteirista Richard Maibaum (1909-1991), responsável pela adaptação de outros doze episódios.

A falta de opções para substituir o astro Dalton, recebido friamente pelos fãs, também serviu para atrasar a volta de Bond às telas. Dalton, inclusive, teria o direito contratual de vestir o terno por uma terceira vez, mas decidiu abandonar o espião. Mais tarde, o ator teria sucesso em papéis de vilão, como em The Rocketeer (de Joe Johnston, 1991). Permissão para matar é também o último dirigido por Glen, o cineasta com maior número de participações, cinco ao todo.

Acessórios: um rifle com assinatura (que só pode ser usado pelo dono), um disfarce de arraia, um tubo de pasta-de-dente com explosivo plástico, uma vassoura com transmissor escondido, um relógio-despertador explosivo (no laboratório de Q) e uma Polaroid com laser que tira fotografias em raio-x (no laboratório de Q).

007 contra GoldenEye (1995)


Curiosamente, Pierce Brosnan já havia sido sondado para substituir Moore em 1987, mas obrigações contratuais com a série de TV Remington Steele impediram a negociação. Aqui, ele supera uma lista de pretendentes que vai de Mel Gibson a Hugh Grant. Para a sua sorte, Brosnan evita a crise dos anos 80 e pega a série em um momento de grande expectativa. E para a sorte da franquia, o ator consegue combinar o humor de Moore, o estilo de Connery - e, quando necessário, até mesmo o lado sombrio, o espírito implacável de Dalton.

GoldenEye é o primeiro filme da série totalmente original. Sua trama não se relaciona com nenhum texto prévio de Ian Fleming. A Guerra Fria já havia terminado, mas resquícios do duelo entre o Serviço Secreto Britânico e os soviéticos servem como base para a história. Aqui, a Máfia Russa, personificada pela bela e letal Xenia Onatopp (Famke Janssen), tenta controlar o satélite do título (cujo nome foi tirado da casa à beira mar que Fleming mantinha na Jamaica), capaz de emitir impulsos que destroem aparelhos eletrônicos. Além de impedir a devastação, Bond precisa lidar com o temível Alec Trevelyan (Sean Bean), um vilão de dupla identidade, conhecido no início do filme como o agente 006 e supostamente alvejado pelos russos. Bean, aliás, realizou testes em 1987 para o papel de Bond em Marcado para morrer.

Na década do politicamente correto, M agora é interpretado por uma mulher, a talentosíssima Judi Dench. No script, o verdadeiro nome de M é Barbara Mawdsley. A decisão, porém, causa uma incongruência na franquia, uma vez que o nome verdadeiro do chefe do Serviço Secreto é Myles, como mostram uma rápida passagem de O Espião que me amava e também os romances originais, em que a personagem se chama Almirante Sir Myles Messervy.

Acessórios: uma BMW Z3, uma pistola com laser e com gancho de rolagem automática para escalada, um relógio Omega Seamaster com laser e com detonador de minas explosivas, um cinto de couro com cabo de aço acoplado à fivela, uma câmera fotográfica com transmissor de dados, uma caneta Parker granada C-4, uma perna engessada falsa que lança foguetes (no laboratório de Q), uma cabine de telefone com air-bag interno (no laboratório de Q) e 2 em 1 - baixela de prata e scanner raio-x de documentos (no laboratório de Q).

O amanhã nunca morre (1997)


O título original do filme seria O amanhã nunca mente (Tomorrow never lies), condizente com a conduta do vilão da trama, um lunático magnata das comunicações, Elliot Carver (Jonathan Pryce), que planeja forjar acontecimentos e iniciar uma guerra entre a Inglaterra e a China, apenas para poder cobrir a batalha com exclusividade nos veículos de sua rede via satélite. Segundo um certo folclore, porém, o título foi trocado devido a um erro de tipografia em um fax, quando o script ainda estava nos rascunhos, e ficou assim até o fim.

Esse é o único caso de confusão em um filme meticuloso, do ponto de vista técnico. O número de efeitos digitais é o dobro do utilizado em 1995, e a quantidade de acessórios de Bond (Brosnan) também excede o número normal da série. Para completar, Michelle Yeoh, no papel da agente chinesa Wai Lin, dispensou dublês em boa parte das suas participações, fazendo uma bond-girl de primeira linha. Quinze BMWs foram destruídas durante as filmagens, para se ter idéia do tamanho da ação.

Acessórios: uma BMW 750i; uma pistola Walther P99; uma câmera de vídeo com link; um isqueiro granada; um relógio Omega Seamaster com detonador, um celular Ericsson com anti-travas, descarga de 2 mil volts, scanner de impressões digitais e controle remoto da BMW com tela de cristal líquido; um dragão que cospe fogo (no escritório de Wai Lin); um assento ejetor (no escritório de Wai Lin) e um leque que atira uma rede (no escritório de Wai Lin).

O mundo não é o bastante (1999)


A seqüência de abertura, uma perseguição pelo Rio Tâmisa e pelas ruas de Londres, em que foram utilizados 35 lanchas, é a mais longa da série, com quinze minutos. Ao som da canção-título do Garbage, agora Bond (Brosnan) precisa proteger Elektra King (Sophie Marceau), a suspeitíssima filha de um magnata do petróleo, assassinado pelo terrorista Renard (Robert Carlyle), um homem que perdeu a sensibilidade, e o sentido da dor, ao levar um tiro no crânio.

O décimo-nono filme da série vale a pena por ilustrar bem o maior talento de Brosnan: a versatilidade. Em anos anteriores, muitos episódios eram marcados só pelo humor, ou pela ação, ou pela violência. Aqui, apesar da fraca história, James Bond age como manda a regra e faz de tudo um pouco. Em um momento, conta as piadas de praxe, em outro, não pensa duas vezes antes de atirar na vilã Elektra, a primeira mulher que 007 leva para a cama e depois mata a sangue frio.

Aliás, se a era de Brosnan carecia de um vilão mais marcante, Sophie e Carlyle dão conta do recado e colocam as suas personagens na exigente antologia dos malvados. Em contrapartida, Denise Richards serve de colírio para os olhos, mas a limitação dramática compromete a participação da bond-girl.

Uma espécie de premonição macabra marca a produção. Pela primeira vez, o perito Q (Desmond Llewelyn, recordista presente em dezessete filmes da série) ganha um auxiliar em seu laboratório, R (John Cleese). Infelizmente, Llewelyn faleceu em um acidente de carro, quando já cogitava aparecer na vigésima produção. Em Um novo dia para morrer, Cleese assumiria o papel de Q.

Acessórios: uma BMW Z8, uma lancha, uma Walther P99 (explosiva, com dispositivo de acionamento na armação de um óculos), uma jaqueta de esqui que engole o usuário e o protege como uma bolha, um relógio Omega Seamaster com iluminação em locais escuros e com gancho de rolagem automática para escalada, um óculos de raio-x, um abridor de trancas no formato de cartão-de-crédito e uma gaita-de-fole com metralhadora e lança-chamas (no laboratório de Q).