![]() Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte. E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em...bem, essa é a magia! Isso é SPOILER! Isso é cinema! TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE 101 Dálmatas 5 X 2 2 Filhos de Francisco 21 Gramas Abaixo o Amor Abraço Partido Aconteceu Naquela Noite Acquaria Adeus Lenin! Adorável Julia Adversário, O Agente da Estação, O Água Negra A.I. - Inteligência Artificial Albergue Espanhol Aladdin Alexandre Alfie - O Sedutor Alice no País das Maravilhas Aliens of the Deep Alien Vs.Predador Amadeus Amizade Sem Fronteiras, Uma Amor, Sublime Amor Anaconda 2: A Caçada da Orquídea Sangrenta Anjo da Morte, O Anjo de Vidro Antes do Pôr-do-Sol Anti-Herói Americano Aristogatas, Os Asas Atlantis - O Reino Perdido A um Passo da Eternidade Avental de Lili, O Aviador, O Balada para Satã Bambi Batman Begins Be Cool Bela Adormecida Bela e a Fera, A Beleza Americana Ben-Hur Bernardo e Bianca Bicicletas de Belleville Blade: Trinity Bob Esponja - O Filme Bom Dia, Noite Bonequinha de Luxo Branca de Neve e os Sete Anões Bridget Jones: No Limite da Razão Brigada 49 Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças Broken Flowers Buena Vista Social Clube Busca da Terra-do-Nunca, Em Cabaret Cabra-Cega Caçados por Sonhos Caché Caixa de Pandora Caldeirão Mágico, O Cama de Gato Camelos Também Choram Canção para Bobby Long, Uma Capitão Sky e o Mundo de Amanhã Carmen Carros Carruagens de Fogo Casa de Aréia Casa de Aréia e Névoa Casa Vazia, A Castelo Animado Cazuza: O Tempo Não Para Cellular Chamas da Vingança Chamado 2, O Chinatown Chung Ko. Cina Cidade Baixa Cidade de Deus Cimarron Cinderela CineGibi Cinema, Aspirinas e Urubus Código 46 Collateral Cold Mountain Como Era Verde Meu Vale Como perder um Homem em 10 Dias Constantine Contato de Risco Contra a Parede Contra Todos Coração Valente Corcunda de NotreDame, O Crimes em Wonderland Cruzada Dama e o Vagabundo, A Dalimatógrafo Dandelion Dear Wendy De Corpo e Alma Delamu De-Lovely Destino Desventuras em Série Dia Depois de Amanhã, O Dia do Perdão Diários de Motocicleta Dinossauros Dogville Don´t Come Knocking Doze Homens e Outro Segredo Dumbo Educadores, Os Efeito Borboleta Election Elefante Elektra Em Boa Companhia Em Carne Viva Em Nome de Deus Encantadora de Baleias Encontros e Desencontros Encoraçado Potemkin, O Entrando numa Fria Maior Ainda Entreatos Entre Casais Entre Dois Amores ...E o Vento Levou Escola de Rock Espada era a Lei, A Espanta-Tubarões Esplanglês Esquecidos, Os Esses Homens Maravilhosos com suas Máquinas Voadoras Estranho Mundo de Jack, O Estranho no Ninho, Um Eterno Amor Eu, Robô Exorcista: O Início Expresso Polar, O Face Oculta da Lua, A Fahrenheit 9/11 Família da Noiva, A Família Rodante Fantasia Fantasia 2000 Fantasma da Ópera, O Fantástica Fábrica de Chocolate, A Feiticeira, A Filho de Chucky, O Fome de Viver Forrest Gump Galinho Chicken Little, O Gandhi Garfield Gigi Gladiador Golpe de Mestre, Um Goonies, Os Gosto de Sangue Grito, O Guerra dos Mundos (1953) Guerra dos Mundos (2005) Guia do Mochileiro das Galáxias Harry Potter e o Cálice de Fogo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban Heimat HellBoy Herbie: Meu Fusca Turbinado Hércules Herói Hitch - Conselheiro Amoroso Home at the End of the World Homem-Aranha 2 Horas, As Horror em AmityVille Hotel Rwanda Incríveis, Os Ilha, A Imagens Belas e Sujas Imperdoáveis, Os Interpréte, A Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas Invasões Barbaras, As Irmãos Irmão Urso James Bond - Pte.1 James Bond - Pte.2 James e o Pessêgo Gigante Janela da Frente, A Jogador de Cartas Jogos Mortais Kedma Ken Park Kill Bill Vol.1 Kill Bill Vol.2 Kinsey Kramer Vs. Kramer Kung-Fusão Laços de Ternura Last Days Lawrence da Árabia Lenda do Tesouro Perdido, A Lenhador, O Life and Death of Peter Sellers Liga Extraordinária, A Lilo & Stitch Lost Zweig Luta Pela Esperança, A Luz é Para Todos, A Machuca Macunaíma Madagascar Madrugada dos Mortos Má Educação Mais Uma Vez Amor Malvada, A Manderlay Mansão Mal-Assombrada, A Man to Man Mar Aberto Mar Adentro Mar de Fogo Maria Cheia de Graça Matadores de Velhinhas Match Point Mate Seus Ídolos Melinda e Melinda Melodia na Broadway Menina de Ouro Menina Santa, A Mente Brilhante, Uma Mercador de Veneza, O Mestre dos Mares Meu Tio Matou um Cara Moça com Brinco de Pérola Mogli, O Menino Lobo Mondovino Monster - Desejo Assassino Monstros S.A. Moulin Rouge Mulan Mulher-Gato My Fair Lady Na Companhia do Medo Nem Que A Vaca Tussa Nem Tudo é o Que Parece Nenhum Lugar da África Nina Ninguém Pode Saber No Calor da Noite Noiva da Síria, A Noivo Neurótico, Noiva Nervosa Notre Musique Nova Onda do Imperador Noviça Rebelde, A Old Boy Olga Oliver! Oliver e seus Companheiros Operação França Operário, O Or Osama Outra Face da Raiva, A Outro Lado da Rua, O Paixão de Cristo Palíndromos Papai Noel às Avessas Paradise Now Party Monster Passagem Azul Passagens Patton, Rebelde ou Herói? Peixe Grande Pequena Sereia, A Peões Perdidos na Noite Perto Demais Peter Pan (2003) Peter Pan (1953) Pinocchio Piratas do Caribe Planeta do Tesouro Platoon Pocahontas Poderoso Chefão, O Ponte do Rio Kwai, A Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera Procurando Nemo Procura-se um Homem que Goste de Cachorros Profecia dos Sapos, A Provocação Puff - O Ursinho Guloso Quanto Mais Quente Melhor Quarteto Fantástico Quase Dois Irmãos Queda, A Questão de Imagem Rain Man Ratinho Detetive, O Ray Rebecca - A Mulher Inesquescível Redentor Reencarnação Rei Arthur Rei Leão, O Resident Evil 2 Revelações Rios Vermelhos 2: Anjos do Apocalipse Robin Hood Robôs Rock, O Lutador Sahara Scooby-Doo 2: Monstros à solta Seabicuit - Alma de Herói Secretária Segredo de Vera Drake, O Segredos de Família Sem Novidades no Front Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei Ser e Ter Sétimo Selo, O Shakespeare Apaixonado She Hate Me Shrek 2 Sideways Silêncio dos Inocentes, O Simplesmente Amor Sin City - A Cidade do Pecado Sindicato de Ladrões Sinfonia em Paris Spartan Sob o Domínio do Mal Sob a Névoa da Guerra Sob o Sol da Toscana Sobre Café e Cigarros Sobre Meninos e Lobos Sociedade de Jesus Sogra, A Sol Sonhadores, Os Sorriso de MonaLisa, O Soy Cuba Sr. e Sra. Smith Starsky & Hutch Star Wars: Ameaça Fantasma Star Wars: O Ataque dos Clones Star Wars: A Vingança dos Sith Star Wars: Uma Nova Esperança Star Wars: Império Contra-Ataca Star Wars: Retorno de Jedi Super Size Me - A Dieta do Palhaço Supremacia Bourne S.W.A.T Tarzan Team America - World Police Ten Teorema Terminal Terra da Fartura Terra dos Mortos Terra dos Sonhos THX 1138 Tickets Tiros em Columbine Titanic Toy Story Três Enterros de Melquiades Estrada, Os Três Vidas e um Destino Tróia Tron - Uma Odisséia Eletrônica Underworld: Anjos da Noite Último Imperador, O Último Samurai Um Tiro no Escuro Van Helsing Viagem do Coração Vida de Inseto Vida é um Milagre, A Vida Marinha com Steve Zissou Vila, A Volta ao Mundo em 80 Dias, A (2004) Vôo Noturno Voz do Coração, A Wayward Clouds, The Where the Truth Lies Whisky Wimbledon Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida Zaitochi |
27.1.05
Chris Rock promete cerimônia menos chataEscolhido para apresentar a entrega deste ano, comediante garante que não vai cantar nem fazer piadas que só poucos vão entenderNem Billy Crystal nem Steve Martin. Quem tentará fazer a cerimônia de entrega do Oscar menos cansativa é o comediante Chris Rock - que não é lá tão convencional como seus antecessores. A premiação ocorre no dia 26. Um pouco mais desbocado e politicamente incorreto, Chris já recusou o trabalho de apresentar o Oscar em anos anteriores, mas acha que a hora é esta. E avisa: "Não vou cantar nem trocar de roupa durante o show." A apresentação de Chris Rock para a imprensa estrangeira foi feita na sexta-feira, nos estúdios da ABC, em Los Angeles. Além de acabar com a cantoria, Chris Rock promete eliminar as piadas internas - já não era sem tempo. Nada de conversas com as celebridades da platéia e comentários que só quem é muito vidrado em fofocas hollywoodianas consegue entender. "Provavelmente farei mais piadas para as câmeras", diz o ator. O produtor do show para a TV, Gilbert Cates, apóia essa decisão. "Essas brincadeiras fazem cinco pessoas felizes, mas não agrada a todo o público." Cates já produziu 11 vezes o show do Oscar desde 1990. É o recordista nessa tarefa. Foi ele quem escolheu o nome de Chris Rock para apresentar a premiação. Para se preparar para a missão, Chris Rock assistiu a vídeos de cerimônias antigas e conversou com Steve Martin e Billy Crystal. "O Steve falou para eu escrever as piadas", conta o humorista, que teve de assistir a cerca de 20 filmes nas últimas semanas. Porém, quando questionado sobre os filmes estrangeiros, é categórico: "Ficarei mais em cima dos grandes filmes." Nada de estranho para um garoto do Brooklyn. Chris Rock deve agitar um pouco a tradicional cerimônia, uma vez que confessa que nunca conseguiu assistir a uma cerimônia do Oscar do início ao fim. "São três horas! Não me lembro de estar no Brooklyn e falar: 'Ei, vamos assistir ao Oscar?'", brinca. Claro que nem Rock pode escapar da censura americana - já que a festa é transmitida ao vivo e sem cortes na TV. "Vou fazer piadas familiares das 20 às 22 horas. Depois, uhu!", comenta o humorista que nunca foi "cuidadoso" em suas brincadeiras. "Mas nunca tive problemas com isso." Gilbert Cates avisa que além de Rock, o show deste ano terá outras novidades, mas não quis adiantar mais detalhes. "Se eu falar não vai ser surpresa, brinca o produtor, que quer fazer uma cerimônia que combine com Chris Rock, para que ele se sinta confortável no palco. "Não há audiência que ele não possa comandar", afirma Cates, que seguiu o conselho de sua mulher para escolher seu apresentador. "Ela acha que o Chris é o homem mais engraçado do mundo." Chris Rock comandou a cerimônia do MTV Video Music Awards em 2003. Além de toda a estrutura técnica armada para a transmissão do Oscar para todo o mundo - equipe de filmagem, som, maquiadores, etc. -, o show ainda precisa lidar com as celebridades. O que seria do Oscar sem elas? "As pessoas assistem ao evento por três motivos: notícia, entretenimento e para ver os astros", explica Cates. Mas como coordenar todos os famosos? Para que tudo saia perfeito na telinha, tudo deve ser ensaiado. O problema é fazer com que as celebridades apareçam nos ensaios. Para dar um empurrão, empresas oferecem mimos aos famosos e, nesta época do ano, os jornais e programas de entretenimento nos Estados Unidos já especulam qual será o recheio da "cesta" de mimos que astros e estrelas vão receber se forem aos ensaios. Cates diz que a tal cesta, que contém roupas de grife e aparatos eletrônicos, é só um estímulo. "Estar na festa do Oscar é um presente, mas vir aos ensaios..." Engraçado ver que um artista que ganha milhões de dólares se sente tão estimulado com quinquilharias milionárias. "Eu queria a Angelina Jolie na minha cesta", brinca Chris Rock, que não esconde sua torcida por Jammie Foxx - protagonista de Ray, que levou o Globo de Ouro. "Se ele não ganhar, vou coordenar a edição de som pessoalmente", ameaça o ator. Por falar em grana, engana-se quem acha que o apresentador do Oscar ganha um cachê gordo. "O que pagamos ao Chris está muito próximo do piso, que é cerca de US$ 13 mil", conta Cates. "Ninguém apresenta a cerimônia por dinheiro." Fonte: Etienne Jacintho - O Estado de São Paulo 27/01/05 26.1.05
OSCAR 2005 será uma briga de cachorro grande e idosoVai ser uma briga de cachorro grande -e idoso. A 77ª edição do Oscar, que anunciou seus concorrentes na madrugada de ontem em Los Angeles, colocou dois pesos-pesados na luta pela estatueta de diretor: os veteranos Martin Scorsese, 62, por "O Aviador", e Clint Eastwood, 74, por "Menina de Ouro". Por enquanto, o ítalo-americano sai na frente: sua cinebiografia do milionário texano Howard Hughes (1905-1976) foi a recordista do dia, com 11 indicações, entre elas filme, ator (Leonardo DiCaprio, no papel-título), roteiro original e ator e atriz coadjuvantes. "Menina" vem atrás, com sete possibilidades, empatado com o fraco "Em Busca da Terra do Nunca". Scorsese lidera porque é um eterno desprezado pela Academia; foi indicado quatro vezes como diretor ("Touro Indomável", 1980, "A Última Tentação de Cristo", 1988, "Os Bons Companheiros", 1990, e "Gangues de Nova York", 2002) e duas como roteirista ("Companheiros" e "A Época da Inocência", 1993), todos melhores que "Aviador" -e perdeu sempre. Um prêmio agora seria pelo conjunto da obra, um Oscar honorário, na cerimônia de entrega, que acontece em Los Angeles no dia 27 de fevereiro. E porque Clint Eastwood, que surpreendeu ao pegar também a vaga de melhor ator que todos esperavam ser de Paul Giamatti pelo independente "Sideways - Entre Umas e Outras", já teve sua cota de prêmios. Levou filme e direção pelo impecável "Os Imperdoáveis" (1992), um prêmio pelo conjunto da obra em 1995 e melhor filme no ano passado, pelo irrepreensível "Sobre Meninos e Lobos". "Sempre me perguntam se faço um filme pensando em prêmios, e a resposta é sempre a mesma: não, é uma conseqüência", disse Scorsese em entrevista à Folha dada semanas antes da indicação de ontem. Já o Brasil, depois das quatro indicações que "Cidade de Deus" recebeu no ano passado, volta ao Oscar, ainda que por vias tortas. "Diários de Motocicleta", dirigido pelo brasileiro Walter Salles, concorre em duas categorias: melhor roteiro adaptado, com o porto-riquenho José Rivera, e canção original, com o uruguaio Jorge Drexler, pela bela "Al Otro Lado del Río". "Fico muito feliz por Jorge e José, ambos tão talentosos", disse Salles. "No caso de José, não era fácil ganhar uma indicação logo no primeiro roteiro escrito para cinema." Na categoria filme estrangeiro, "Olga", de Jayme Monjardim, o indicado oficial do governo brasileiro a uma das cinco vagas, foi superado pelo sueco "As It Is in Heaven" (Como É no Céu), sobre a volta de um maestro famoso à cidadezinha natal, o francês "A Voz do Coração", o sul-africano "Yesterday", sobre uma soropositiva que tem o nome do título, o polêmico alemão "Downfall", do mesmo diretor de "A Experiência", que mostra os últimos dias de Hitler (interpretado por Bruno Ganz), e o favorito "Mar Adentro", do espanhol Alejandro Amenábar, com Javier Bardem no papel de um tetraplégico. Entre os atores, ironia e déjà vu. No ano em que o segundo governo Bush tenta reverter as ações afirmativas, que garantem cotas para afro-americanos nas escolas, negros conquistaram 25% das indicações, respondendo por cinco das 20 vagas possíveis em ator e atriz principais e coadjuvantes. São eles Morgan Freeman (um eterno desprezado, em sua quarta chance, por "Menina de Ouro"), Don Cheadle e Sophie Okonedo ("Hotel Rwanda") e Jamie Foxx, já o favorito na categoria principal, pelo musical "Ray", e com chances como coadjuvante, por "Colateral". E Hilary Swank e Annette Bening voltam a brigar pela mesma estatueta cinco anos depois. Em 2000, a primeira levou a melhor, ao bater a atriz de "Beleza Americana" por seu papel como a homossexual de "Garotos Não Choram". Dessa vez, Hilary é a boxeadora de "Menina de Ouro", e Annette, a atriz decadente de "Being Julia". Ambas ganharam o último Globo de Ouro, mas em categorias diferentes (drama e comédia). Hillary, 30, pode ser prejudicada pela reincidência, mas está melhor que Annette, que pode ser beneficiada pelo ineditismo (nunca foi oscarizada em sua carreira) e idade (tem 45 anos). Por fim, os 6.000 votantes da Academia assinam embaixo da acusação feita pelos conservadores logo após a eleição que deu mais quatro anos a George W. Bush, de que a indústria do entretenimento não está em sintonia com a "América profunda". Pode ser: essa "América" deu US$ 370 milhões (cerca de R$ 991 milhões) de bilheteria ao polêmico "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, que ontem só levou indicações técnicas (fotografia, maquiagem e trilha original). Por outro lado, a América liberal também saiu de mãos abanando: "Fahrenheit 11 de Setembro", de Michael Moore, com seus US$ 120 milhões, não concorre a nada. Os dois filmes representam a divisão por que o país passa no momento e foram os mais importantes de 2004. Hollywood não quer nada com eles. Fonte: Sérgio Dávila - Folha de São Paulo 26/01/04 Indicados são escolhidos por meio de listas e critérios obscurosA escolha dos indicados ao Oscar é envolta em mistério, não somente porque o voto dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é secreto. Considerado arcaico por alguns de seus críticos, o sistema de votação ajuda a tornar a eleição dos concorrentes ao principal prêmio do cinema norte-americano ainda mais obscura. A Academia utiliza o método de listas de preferência -os cinco ou dez melhores para cada eleitor. Mas, diferentemente do que costuma acontecer em outras eleições desse tipo, a atribuição de valores é discrepante entre o primeiro e os demais colocados. Ou seja, não há proporcionalidade na pontuação dos escolhidos. Nesta primeira fase, a das indicações, cada grupo de profissionais escolhe dentro de sua área. Todos os 6.000 membros da Academia podem votar apenas para melhor filme. As cédulas são enviadas para os membros da Academia no final de dezembro e devem ser respondidas diretamente para a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers, responsável pela lista final de indicados. Na categoria melhor diretor, por exemplo, cerca de 300 votantes podem escolher seus prediletos, enumerando-os em uma lista de um a cinco. Os auditores separam as cédulas segundo quem aparece em primeiro lugar. O total de votos recebidos é dividido por seis para determinar o mínimo necessário para que um filme seja considerado indicado. Caso haja exatas 300 cédulas, 50 votos bastam para um diretor ser indicado ao prêmio. O segundo lugar das listas é considerado somente após a contagem do primeiro. A partir do pior colocado entre os escolhidos como primeira opção dos votos, começam a ser computados os números dois. A principal crítica ao sistema é que um candidato apoiado por poucos eleitores, mas que tenha sido a primeira opção deles, pode entrar para a lista de finalistas. Essa seria a explicação também para que alguns queridinhos da Academia estejam sempre entre os concorrentes, independentemente do que tenham feito. Os indicados a filme estrangeiro e animação são selecionados por um comitê à parte. Depois de divulgada a lista de indicados, são realizadas sessões fechadas dos indicados em Los Angeles, Londres, Nova York e San Francisco. No "segundo turno", todos os membros da Academia votam para eleger os vencedores de quase todas as categorias. Para eleger os ganhadores de melhores curtas, documentários (longa e curta) e filme estrangeiro, é necessário comprovar ter assistido a todos os concorrentes. 21.1.05
2º PRÊMIO SPOILER DE CINEMA![]() ![]()
Melhor Filme "O Aviador" (Miramax Films) "Sideways" (Fox Searchlight Pictures) "Menina de Ouro" (Warner Bros. Pictures) "Em Busca da Terra-do-Nunca" (Miramax Films) "Ray" (Universal Pictures) Melhor Diretor Clint Eastwood por "Menina de Ouro" Taylor Hackford por "Ray" Michael Nichols por "Perto Demais" Alexander Payne por "Sideways" Martin Scorsese por "O Aviador" Melhor Atriz Annette Bening por "Being Julia" Catalina Sandino Moreno por "Maria Cheia de Graça" Imelda Staunton por "Vera Drake" ![]() Hilary Swank"
por "Menina de Ouro" Kate Winslet por "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" Melhor Ator Don Cheadle por "Hotel Ruanda" Johnny Depp por "Em Busca da Terra-do-Nunca" Leonardo DiCaprio por "O Aviador" Jamie Foxx por "Ray" Paul Giamatti por "Sideways" Melhor Atriz Coadjuvante Cate Blanchett por "O Aviador" Cloris Leachman por "Espanglês" Laura Linney por "Kinsey" Virginia Madsen por "Sideways" Natalie Portman por "Perto Demais" Melhor Ator Coadjuvante Morgan Freeman por "Menina de Ouro" Thomas Haden Church por "Sideways" Clive Owen por "Perto Demais" Jamie Foxx por "Collateral" David Carradine por "Kill Bill - Vol.2" Melhor Filme em Lingua Não-Inglesa ![]() "Maria Cheia de Graça"
(COLÔMBIA/INGLATERRA - Miramax Films) "Clã das Adagas Voadoras" (CHINA - Sony Pictures Classics) "Diários de Motocicleta" (BRASIL/ARGENTINA/CHILE/PERU/EUA - Focus Features) "Mar Adentro" (ESPANHA - Fine Line Features) "A Very Long Engagement" (FRANÇA - Warner Bros.) Melhor Roteiro Original "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" Charlie Kaufman "O Aviador" John Logan "Kinsey" Bill Condon "Hotel Ruanda" Keir Pierson & Terry George "Vera Drake" Mike Leigh Melhor Roteiro Adaptado "Sideways" Alexander Payne & Jim Taylor "Menina de Ouro" Paul Haggis "Em Busca da Terra-do-Nunca" David Magee & Marc Foster "Diários de Motocicleta" Jose Rivera "Perto Demais" Patrick Marber Melhor Fotografia "O Aviador" Robert Richardson "Colateral" Dion Beebe & Paul Cameron "A Paixão de Cristo" Caleb Deschanel ![]() "Ray"
Pawel Edelman "A Very Long Engagement" Bruno Delbonnel Melhor Direção de Arte e Cenários "O Aviador" Dante Ferretti "Desventuras em Série" Rick Heinrichs "O Fantasma da Ópera" Anthony Pratt "Em Busca da Terra-do-Nunca" Gemma Jackson "O Terminal" Alex McDowell Melhor Edição "O Aviador" Thelma Schoonmaker "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" Valdís Óskarsdóttir "Ray" Paul Hirsch "Menina de Ouro" Joel Cox "Sideways" Kevin Tent Melhor Efeitos Especiais "Homem-Aranha 2" (Sony Pictures) "Capitão Sky e o Mundo de Amanhã" (Universal Pictures) "O Dia Depois de Amanhã" (Fox Searchlight Pictures) Melhor Figurino "O Aviador" Sandy Powell "Clã das Sete Adagas Voadoras" Emi Wada ![]() "De-Lovely"
Janty Yates "Desventuras em Série" Colleen Atwood O Fantasma da Ópera Alexandra Byrne Melhor Maquiagem "A Paixão de Cristo" "Desventuras em Série" "HellBoy" Melhor Trilha Musical "Em Busca da Terra-do-Nunca" Jan A. P. Kaczmarek "Os Incríveis" Michael Giachhino "Sideways" Rolfe Kent "Diários de Motocicleta" Gustavo Santaolalla "O Terminal" John Williams Melhor Canção "Accidentally in Love", de Shrek 2 Adam Duritz, Dan Vickery, David Immergluck, Matthew Malley & David Bryson "Believe", de O Expresso Polar Glen Ballard & Alan Silvestri "Learn to Be Lonely", de "O Fantasma da Ópera Andrew Lloyd Webber & Charles Hart "Million Voices", de Hotel Rwanda Wyclef Jean, Jerry 'Wonder' Duplessis, Andrea Guerra "Old Habits Die Hard", de Alfie Mick Jagger & David A. Stewart Melhor Som "O Aviador" (Miramax Films) "A Supremacia Bourne" (Universal Pictures) "Em Busca da Terra-do-Nunca" ![]() (Miramax Films)
"Ray" (Universal Pictures) "Homem-Aranha 2" (Columbia Pictures) Melhor Edição de Som "Homem-Aranha 2" (Columbia Pictures) "Os Incríveis" (Pixar Animation Studios) "O Aviador" (Miramax Films) Melhor Curta-Metragem "Wasp" Andrea Arnold "Elephant Boy" Rene Mohandas & Durdana Shaikh "Trafic" Catalin Mitulescu "Signe d'appartenance" Kamel Cherif "Man Feel Pain" Dylan Akio Smith Melhor Documentário em Curta-Metragem "God Sleeps in Rwanda" Kimberlee Acquaro "The Life of Kevin Carter" Dan Krauss "Mighty Times Vol.2: The Children´s March" Robert Houston "Parents of the Year" James D. Scurlock Melhor Documentário em Longa-Metragem "Born into Brothels" Zana Briski & Ross Kauffman "Home of the Brave" Paola di Florio "Super Size Me - A Dieta do Palhaço" ![]() Morgan Spurlock
"Touching the Void" Kevin Macdonald "The Story of the Weeping Camel" Byambasuren Davaa & Luigi Falorni Melhor Animação em Curta-Metragem "Agricultural Report" (Barley Films) "It's The Cat" (Mark Kausler) "Lorenzo" (Walt Disney Pictures) "Rockfish" (Blur Studio) "Ryan/Copper Heart Entertainment" (Nat'l Film Board of Canada) Melhor Animação em Longa-Metragem "Os Incríveis" (Pixar Animation Studios) "Shrek 2" (DreamWorks Animation) "O Expresso Polar" (Warner Bros. Pictures) "Ghost in the Shell 2: Innocence" (Go Fish Pictures) "Bob Esponja - O Filme" (Peanut Worm Productions) Melhor Elenco "O Aviador" Alan Alda, Alec Baldwin, Kate Beckinsale, Cate Blanchett, Leonardo DiCaprio, Ian Holm, Danny Huston, Jude Law, John C. Reilly & Gwen Stefani "Em Busca da Terra-do-Nunca" Julie Christie, Johnny Depp, Freddie Highmore, Dustin Hoffman, Radha Mitchell, Joe Prospero, Nick Roud, Luke Spill & Kate Winslet "Sideways" Thomas Haden Church, Paul Giamatti, Virginia Madsen & Sandra Oh "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" ![]() Jim Carrey, Kate Winslet, Elijah Wood, Thomas Jay Ryan, Mark Ruffalo,
Jane Adams, David Cross, Kirsten Dunst & Tom Wilkinson "Fahrenheit 9/11" Michael Moore, Barbara Bush, Al Gore, Ben Affleck, Bandar bin Sultan bin Abdulaziz, Jon Bon Jovi, George Bush, Dick Cheney, Bill Clinton, Robert De Niro, Saddam Hussein, Osama bin Laden, Colin Powell, Condoleezza Rice, Britney Spears & Stevie Wonder
SPOILER Deleite seus olhos! SPOILER NEWS SPOILER ACTION SPOILER HAPPY SPOILER EMOTION SPOILER CLASSICS Regulamento:1. O 2º Prêmio Spoiler de Cinema têm por objetivo, encorajar o melhoramento e o avanço das artes e ciências cinematográficas através do intercâmbio de idéias construtivas e atribuição de prêmios de mérito por trabalhos e obras do cinema; 2. São considerados elegíveis, e portanto passíveis de voto, todos os filmes que estrearam nos EUA entre 1 de janeiro e 31 de Dezembro de 2004; ![]() 3. O Prêmio será dividido em 25 categorias (Filme, Diretor, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Filme em Lingua Não-Inglesa, Roteiro Original, Roteiro Adaptado, Animação em Longa-Metragem, Fotografia, Direção de Arte e Cenários, Edição, Efeitos Especiais, Figurino, Maquiagem, Som, Edição de Som, Elenco, Curta-Metragem, Documentário em Curta-Metragem, Documentário em Longa-Metragem, Animação em Curta-Metragem, Trilha Musical e Canção);
4. Cada categoria consta de 5 finalistas (exceto Animação em Longa Metragem, Efeitos Especiais, Maquiagem, Edição de Som e Documentário em Curta-Metragem, cujo numero de finalistas pode variar entre 2 a 5) que serão divulgados em data previamente marcada; 5. Será declarado vencedor o filme que obter maioria de votos no quesito técnico e popular. O vencedor em cada categoria será anunciado no dia do OSCAR a partir das 12hs. 6. O Quesito popular consiste de enquete simples, disponibilizada nos blogs Spoiler News, Spoiler Action, Spoiler Emotion, Spoiler Happy e Spoiler Classics entre os dias 24/01/05 a 26/02/05. Terão direito a voto todos os visitantes desses blogs que assim o desejar, desde que votem apenas e somente uma vez em cada categoria e que se comprometam a votar em todas as categorias 7. Caso o eleitor discorde dos finalistas ou não deseje votar em alguma categoria, será disponibilizado na enquete um campo para voto inválido que deverá ser escolhido; 8. Para evitar fraude ou duplicidade dos votos, as enquetes terão controle restrito por IP. Será anulado as enquetes que tiverem margem superior de votos a 10% em relação a média de votos das outras enquetes, cabendo a escolha do vencedor apenas pelo quesito técnico; 9. Os votos no Quesito Popular serão secretos. Não haverá divulgação do número de votos e os valores percentuais de cada categoria. Para evitar fraude, será designado um auditor de confiança que partilhará dos resultados e das tabulações. Poderá aspirar o cargo de auditor, qualquer um dos visitantes do blogs mencionado no artigo 6; 10. O Quesito Técnico consiste de enquete simples. Terá direito a voto os representantes das Associações de Crítica Estrangeira e Sindicatos de profissionais da indústria cinematográfica, representados por meio de seus prêmios divulgados na imprensa. Cada instituição terá direito de 1 a 3 votos conforme sua relevância. 11. Para votar basta clikar no nome das categorias, uma janela pop-up abrirá. Vote com critério e responsabilidade! Jarmush evita o que Hollywood prezaEm "Sobre Café e Cigarros", diretor elimina a ação com muita fala e faz discreta celebração de vícios 'menores' O elenco é quilométrico e estrelado. Mas o filme é independente. Em "Sobre Café e Cigarros", de Jim Jarmush, trabalha gente como Roberto Benigni, Cinqué Lee, Steve Buscemi, Iggy Pop, Tom Waits, Cate Blanchett, Alfred Molina, Steven Coogan, Bill Murray, etc. É verdade, se trata de um filme do papa dos independentes, uma instituição como Jarmush. E isso faz com que seja perceptível o prazer dos atores nessa peça de 11 atos que se desenvolve em torno de tabaco e cafezinho.
São esquetes, diálogos, papo entre gente na situação descontraída proposta pelo tema mas claro, fumo e cafeína são itens hoje demonizados. Fazem mal, são alvo de campanhas de órgãos públicos. Fumar em público, em especial, tornou-se quase uma atividade clandestina, proscrita, que produz culpa nas pessoas. Hoje, o cara que acende um cigarro é induzido a pensar que é uma pessoa de segunda categoria, uma espécie de malfeitor. Essa culpabilidade induzida passa entre os diálogos, pelo menos de alguns dos esquetes, com a devida ironia. Na verdade, o filme totalmente em preto-e-branco, inclui três episódios que já haviam sido lançados como curtas-metragens. São os casos do primeiro, que dá título ao longa, Sobre Café e Cigarros, rodado em 1986 com Benigni e Stephen Wright. De 1989 há Twins (Gêmeos), com Joie Lee, Cinque Lee e Steve Buscemi, e Somewhere em California (Em Algum Lugar, na Califórnia), com Iggy Pop e Tom Waits. A estes se incluíram outros oito. Como em todos os filmes de episódios, uns são melhores do que os outros, o que é inevitável. Alguns se destacam, como Primas, com Cate Blanchett fazendo duplo papel. Num, ela é uma atriz famosa; no outro, a prima pobre e meio maluquete que a visita no hotel. No papo entre as "duas", corre aquele mal-estar entre pessoas que já foram íntimas, mas que agora se separam por circunstâncias de vida muito diferentes. A saia-justa chega ao máximo quando a prima rica presenteia a pobre com um perfume de luxo, que havia ganhado como brinde. É curioso como Jarmush trabalha o mesmo tema num filmete simétrico, o episódio Primos, desta vez envolvendo dois atores, Alfred Molina e Steve Coogan, que aliás faz Phileas Fogg em A Volta ao Mundo em 80 Dias que também estréia hoje (Leia texto nesta página). Coogan é um ator famoso e Molina nem tanto. Molina fez a árvore genealógica e descobriu que pode ser primo, sei lá, em 50.º grau de Coogan. Mas este não se interessa. Pelo menos até o momento em que Molina recebe em seu celular a chamada de alguém que ele chama de... Spike. Aí a coisa muda de figura. Nos dois esquetes, mais ainda no primeiro do que no segundo, o que é trabalhado em filigrana é a hipocrisia entre as pessoas, a falsidade, as relações convencionais, tratadas apenas na superfície e dependente do interesse. Não é novo (nada é), mas pode-se dizer que a maneira de Jarmush trabalhar é cheia de classe. E, claro, o filme é uma ação entre amigos do diretor, o que ajuda bastante. Além da hipocrisia social, os filmetes comentam também a amizade, o amor, situações grotescas como a do homem muito gordo que precisa parar de fumar, etc. Jarmush, num filme basicamente de diálogos, evita o palavrório. As falas soam espontâneas e cheias de subentendidos. Enfim, é um cinema contrário a tudo o que se preza em Hollywood. Ação nenhuma, muita fala e uma discreta celebração do encontro e dos vícios ditos "menores" como o café e o cigarrinho. É compreensível que esse tipo de cinema exista, até como reação, num momento em que a corrente dominante dessa arte passou a valorizar ao extremo a ação em detrimento da fala e do raciocínio. De certa maneira, e até por afinidade temática, lembra o belo Cortina de Fumaça, de Wayne Wang, baseado em texto de Paul Auster. Tem sabor, cheiro e alma. Por Luiz Zanin Oricchio 7.1.05
Obra-prima de 68 de Pasolini faz parábola sobre a crise burguesaUma "maratona Pier Paolo Pasolini" serve hoje de abre-alas para o relançamento de uma das obras centrais do diretor italiano, "Teorema" (1968). A seleção dos títulos da minirretrospectiva foi muito feliz, pois traz o primeiro longa do cineasta, "Accatone - Desajuste Social" (1961), ambientado no sub-proletariado romano e ainda bastante marcado pelo neo-realismo, e o último, o radical e indigesto "Saló" (1975), amargo testamento de um Pasolini enfurecido contra a utilização do sexo como instrumento de opressão. Entre um e outro, há "As Mil e Uma Noites" (1974), última parte da chamada "trilogia da vida", em que cantava um erotismo gozoso e libertador de outros tempos. Mas vamos a "Teorema", realizado no ano crucial de 1968. Fazendo jus ao título, Pasolini realiza ali uma proposição lógica sobre a desagregação da família burguesa, "célula mater" da sociedade capitalista. O filme começa pelo fim. Em imagens em preto-e-branco que simulam uma reportagem, discute-se à porta de uma fábrica o gesto do industrial que acaba de entregar a empresa a seus operários. Seria um meio de evitar a revolução proletária? Agindo assim, a burguesia desejaria transformar os próprios trabalhadores em burgueses? Corta. A partir daí, "Teorema" entra no registro da ficção para contar a história da família do industrial, como que para explicar o que o levou àquele gesto extremo. A matriz do relato é a fábula do forasteiro que chega a um lugar e o desestrutura, colocando cada membro da comunidade em crise e ensejando um rearranjo. O visitante em questão é um belo rapaz (Terence Stamp) que vai passar uns tempos na mansão do industrial Paolo (Massimo Girotti), nos arredores de Milão. Com sua mera presença luminosa, o jovem, que passa o tempo lendo Rimbaud e cujo nome não é mencionado, seduz e faz amor com todos os membros da família: a mãe, Lucia (Silvana Mangano), o pai, Paolo, e os filhos adolescentes Odetta e Pietro. A primeira a se entregar a seus encantos é a criada Emilia (Laura Betti), a única proletária à vista. Cada um deles sai profundamente transformado da experiência: uma vira santa, outro vira artista, outra fica catatônica, uma terceira dá vazão a sua ninfomania reprimida, e o pai já sabemos o que vai fazer -embora seu final, no filme, seja dos mais memoráveis e não mereça ser amesquinhado aqui com palavras. Homossexual, católico e comunista, Pasolini sempre buscou o profano no sagrado, e vice-versa. Seu teorema pode ser lido como uma parábola ao mesmo tempo cristã e marxista, cujos momentos epifânicos são banhados pelo "Réquiem" de Mozart. O visitante misterioso pode ser tanto um Cristo redentor como um anjo exterminador, pois o teorema profético de Pasolini repousa sobre um paradoxo: justamente quando a burguesia industrial, ancorada na propriedade familiar, perde seu papel social, suplantada no capitalismo financeiro pelo capital sem nome e sem rosto, todas as classes passam a viver de acordo com os valores e aspirações burguesas. Se fosse um político, Pasolini (1922-75) teria feito disso um tratado. Como era um artista visionário, fez um poema. Por José Geraldo Couto 5.1.05
O Fabuloso Destino da Família Trapp![]() Por princípio, a Arte imita a Vida, normalmente acrescentando cores mais ricas para que seja aceita melhor pelo público. O cinema sempre primou por essa agradável distorção da realidade. Algumas vezes porém, a Vida pode ser igualmente aventurosa e talvez até superar a versão que chega às telas. O mais singular exemplo é o de Georg e Maria Von Trapp, imortalizados nas telas pelo magnífico filme "A Noviça Rebelde". O que tem de tão extraordinário neste filme produzido em 1965, que encanta todos os espectadores? História romântica, presença de crianças, uma trilha musical agradável, belas paisagens, será só isso? Não creio, existem muitos outros filmes com estes mesmos elementos que hoje amargam o esquecimento. Para entender o que torna "A Noviça Rebelde" tão especial, é melhor ir por partes... Talvez o elemento que mais fascine as pessoas seja o fato de que quase tudo que é visto no filme, aconteceu de verdade. É fato que Maria, candidata a freira pouco ortodoxa, foi trabalhar como governanta na casa de Georg Von Trapp, viúvo e pai de sete filhos. Capitão reformado da marinha, Georg tenta reorganizar sua vida após a perda da primeira mulher. Ao conhecer Maria Kutscher, rompe o noivado com uma nobre vienense e casa-se com ela. Como está no filme, afronta o domínio nazista na Áustria e foge ao ser convocado para integrar a marinha alemã. Tudo isso está lindamente exposto no filme, personificado por Julie Andrews, Christopher Plummer e um grupo de talentosas crianças. O que poucos sabem, e renderia até outros filmes, é que a vida dos Trapp sempre foi singular e aventureira, antes e depois do período retratado na fita. Durante a Primeira Guerra Mundial, o então tenente Von Trapp comandava um pequeno submarino da marinha do Império Austro-Hungaro. A precária embarcação ainda nos estágios experimentais, conduzia uma tripulação misturada com polacos, magiares, croatas, austríacos, tchecos e italianos. Ousadamente, Von Trapp conduz um ataque noturno e afunda o cruzador francês Leon Gambetta. Essa foi mais uma entre muitas ações heróicas que participou e liderou, desde o início da carreira militar durante a revolução na China. A brilhante carreira militar levou-o a receber a Cruz da Imperatriz Maria Tereza, a mais alta condecoração da Áustria em tempo de guerra, além do título de barão. Georg Von Trapp tinha na Áustria a imagem que Eisenhower viria a ter nos Estados Unidos. Com a derrota na Primeira Guerra, o império Austro-Hungaro foi desfeito e a Áustria sem mar não precisava mais de Marinha. Georg sofreu muito com isto, mas dedicou-se então à sua família, formada por Agathe Whitehead, com quem se casara em 1910 e os sete filhos que vieram. Após a guerra, viveram tranqüilamente em Salzburgo, onde nasceu a sexta filha. Em 1922, uma epimedia de escarlatina arrebatou a região e os Trapp também foram afetados. Cuidando incansavelmente dos sete filhos doentes, Agathe também foi contaminada e faleceu devido à febre. Desolado com a morte da companheira, Georg continuou sendo um pai extremado, aspecto que é relembrado pelos filhos ainda vivos. Diferentemente do que foi mostrado no filme, o patriarca da família costumava brincar com os filhos, incentiva a formação musical das crianças e a maior parte do tempo tomou conta da família sozinho. Em 1925, quando uma das filhas adoeceu, contratou uma noviça para tomar conta dela. A noviça era Maria Kutscher, de quem Georg se enamorou e foi correspondido. Casaram-se em 1927. Maria também foi uma pessoa singular desde criança. Órfã de mãe aos dois anos, Maria foi criada por um primo de seu pai, num ambiente ateísta e socialista. Aos dezesseis anos, foi tocada pela pregação de um famoso pregador, ao entrar por engano numa igreja. Resolvida a ser freira, entrou para um convento. Apesar de extremamente devotada à atividade religiosa, teve sua saúde afetada pelo isolamento do claustro. Por força do destino, foi tomar conta da filha doente do capitão Von Trapp. O resto está no filme. Mas o que não consta na fita é que devido à quebradeira dos bancos austríacos em 1932, Georg Von Trapp perdeu toda a sua fortuna. Para sobreviver, a casa foi transformada em pousada e todos os filhos tiveram que trabalhar para contribuir para o sustento da família. Nesse mesmo período, uma influência importante do pároco local, o padre Wasner, que ajudou a família a aprimorar os dotes musicais. Antes mesmo da chegada de Maria, Georg incentivava os filhos a cantar, e foi graças à sua fama pessoal que muitas portas foram abertas depois que o grupo começou a atuar profissionalmente. Nessa época, acontecia a crescente influência do nazismo na Alemanha. Enquanto que muitos outros cidadãos importantes da Áustria aplaudiam e cooptavam para unir-se ao vizinho país, Georg era um dos poucos a levantar a voz contra o movimento. Em 1938 acontece a Anschluss, a anexação da Áustria pela Alemanha. Mantendo sua firme posição anti-nazista, Von Trapp não se solidariza com o novo poder. Recusa-se a hastear a bandeira com a suástica em sua casa, recusa-se a cantar no aniversário de Hitler, representando a Áustria e por fim, recusa um posto de comando da base de submarinos de Bremerhaven da marinha alemã. Essa talvez tenha sido a mais difícil renúncia para Georg, que amara a marinha e os submarinos mais que tudo. Numa posição insustentável, Georg reuniu a família e mostrou a situação com clareza. Não havia outra saída a não ser deixar a Áustria e tudo o que haviam conquistado. Praticamente com a roupa do corpo, os Trapp e o padre Wasner tomaram um trem para a Itália, com a desculpa de excursionar para apresentações musicais. No dia seguinte à sua partida, as fronteiras foram fechadas. Em 1938, a família Von Trapp chegou à América. Nos dezoito anos seguintes, o grupo Trapp Family Music percorreu os Estados Unidos num ônibus, enfrentando muitas dificuldades e privações. Contudo, o espírito de solidariedade e amor familiar conseguiu ajudá-los sempre. A fazenda que compraram para morar em Vermont, também foi utilizada como hotel para turistas e isso foi o alicerce dos negócios da família no ramo de hotelaria. Georg Von Trapp morreu em 1949. Herói de guerra, nacionalista apaixonado, observador atento da política e acima de tudo o bastião da família presente em todos os momentos difíceis. Em 1949, sua mulher publica o livro The Story of the Trapp Family Singers, onde é narrada toda a trajetória da família. Da vida para o cinema levaram apenas alguns anos. Em 1956, o produtor alemão Wolfgang Reinhardt fez o filme "Die Trapp Familie" que foi um tremendo sucesso na Alemanha. Houve uma seqüência, "Die Trapp Familie in Amerika" que também encantou multidões de fãs na Europa e América do Sul. A conquista da América foi feita com uma peça na Broadway, que teve 1443 apresentações. Em 1965 foi rodado o filme "Sound of music", em locações na Áustria. Maria Kutscher reclamou da maneira como seu marido fora mostrado na peça e insistiu para que no filme ficasse mais próximo do que ele realmente fora. A escolha do ator Cristopher Plummer mostrou-se adequada, pois ele mesmo buscou este caminho. "A noviça rebelde" foi um filme notável não apenas pela história que contava. A trilha sonora foi exaustivamente elaborada, pois além do filme ser um musical, estava retratando uma família que era famosa por sua musicalidade. O elenco foi escolhido cuidadosamente, tendo a excepcional Julie Andrews encabeçando o time e Plummer no contraponto do Capitão Von Trapp. A fotografia é algo surpreendente, não só nas tomadas ao ar livre nos Alpes, mas também nas filmagens em cenário, em especial as noturnas. Observem as cenas no cemitério do convento e também quando Maria e Georg se entendem no jardim. Uma curiosidade sobre esta cena: Julie e Plummer não conseguiam conter o riso quando iam filmar e depois de trinta tomadas, resolveram fazer a cena em contraluz, que rendeu uma imagem fantástica. Para a 20th Century Fox, "A noviça rebelde" representou o renascimento do estúdio. Quando todos esperavam a falência do grupo, que vinha de um fracasso monumental que foi "Cleopatra", Ernest Lehman, o roteirista de "O Rei e Eu" e "Amor, Sublime Amor" foi contratado para escrever o script do novo filme. O primeiro diretor contratado, William Wyler, que vinha do megasucesso "Ben-Hur" queria fazer uma história de guerra, com canhões, tanques e bombas. Por fim, Robert Wise, o mesmo diretor de "Amor, Sublime Amor" foi escolhido. Maria pensou que teria a sua colaboração solicitada, mas o estúdio não deu a mínima para ela. Quando soube que já estavam sendo feitas as filmagens, visitou as locações em Salzburgo e teve um breve encontro com o elenco. Ela inclusive faz uma pontinha no filme, numa cena ao ar livre. Contudo, nem para a estréia do filme foi convidada. Apesar de tudo, ficou satisfeita com o resultado, principalmente por ter sido mantida fidelidade à história e à personalidade dos envolvidos. "A Noviça Rebelde" foi um filme onde tudo deu certo. Uma boa história, um bom roteiro, uma direção segura, trilha musical impecável, elenco profissional e fotografia primorosa. A resposta da crítica e do público não poderia ser diferente do que foi. O filme ganhou cinco Oscars: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Edição, Trilha Sonora e Arranjos. Em todos os países do mundo a recepção foi calorosa, com a única exceção da Alemanha. Lá só foi exibida uma versão sem o terço final do filme. É curioso, pois em 56 e 58 foram rodados lá os primeiros filmes sobre a família Trapp. Mas, diferente dos blockbusters que fazem um enorme sucesso no lançamento e depois são esquecidos pelo público, "A noviça rebelde" tornou-se um cult movie, com um público fiel que assiste incansávelmente as versões que foram sendo lançadas em vídeo, laserdisk e agora em DVD. Que a FOX não me escute, mas só o filme já seria um atrativo grande para se comprar ou alugar o disco de "A noviça rebelde". Mas, graças ao bom Deus, foi mantido o mesmo padrão da versão americana. A versão nacional vem com dois discos, um com o filme e comentários do diretor Robert Wise e outro com tantos extras que fariam o soldado Ryan morrer de vergonha. O filme vem num padrão impecável: formato de tela widescreen, áudio em inglês Dolby Digital 4.1 e espanhol 2.0 ( infelizmente, para quem gosta de filme dublado, não tem áudio em português), legendas em português, espanhol e inglês. O comentário do diretor não tem legendas, mas dá pra entender bem. Um ponto negativo: a trilha sonora isolada não tem as vozes, fica só o instrumental. Não sei se é porque gosto muito das músicas do filme, achei que ficou incompleto. No disco de extras vem: documentário com catorze minutos feito em 1965, "Salzburg, sight and sound" apresentado por Charmian Carr, que interpretou a filha mais velha; documentário "The sound of music: from fact to phenomenon" com oitenta e oito minutos, falando sobre a verdadeira história da família Trapp e sobre o filme; spots de época para o rádio e para tv. E o melhor: os documentários são legendados em português. Não é preciso dizer que "A noviça rebelde" reúne as qualidades de um clássico com a leveza de um filme divertido, ideal para ver com familiares entre zero e cem anos. É o retrato quase fiel de uma família que viveu grandes aventuras, mas que sobreviveu a tudo através da união e do amor. Não é uma história piegas, lacrimejante, ousada ou indiferente. É uma história simples da busca da felicidade. Assista e tire suas conclusões, mas esteja preparado, pois entre filme e extras são quatro horas e meia de diversão explícita. Confira mais sobre a familia Trapp aqui! Agradescimentos Especiais: Rodrigo Albuquerque - "Pernambaiano", pelo adorável presente! 4.1.05
Centro de São Paulo assistirá ao renascimento de dois cinemas em 2005A reabertura de dois cinemas no centro devem finalmente sair do papel em 2005. Playarte e Cinemark prometem revigorar o Marabá e o Cine Marrocos. O Marabá é um dos únicos sobreviventes da onda de fechamento e transformação em cines pornôs que assolou o centro. Nos próximos dias, o cinemão, inaugurado em 1945, deve fechar as portas para a execução da obra, que vai transformar os 1.600 lugares em cinco salas, que totalizam 1.300 lugares. A reinauguração deve ser em julho. O aspecto original do prédio não será modificado. O projeto do arquiteto Ruy Ohtake deve manter o estilo do saguão revestido de mármore e com pé-direito alto. De acordo com a Playarte, para o antigo plano de reforma sair do papel, falta agora somente o aval do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), que zela pelos prédios tombados. A programação das novas salas deve ter características mais "sofisticadas", bem diferente do que acontece atualmente. "Serão cinco salas, o que permite trabalhar outros tipos de filmes não só os mais comerciais", diz Otelo Bettin Coltro, vice-presidente da Playarte. A Cinemark também está de olho na região e se prepara para operar um complexo no antigo Cine Marrocos, perto do Teatro Municipal, com cinco salas. Não há data definida para abertura, mas ela deve acontecer em 2005. Será o primeiro cinema da rede fora de um centro comercial. "Queremos contribuir para a revitalização do centro, mas acreditamos também que a região tem potencial econômico e está mal atendida", diz Valmir Fernandes, diretor da empresa. Como no caso do Marabá, algumas características --a fachada, as escadarias e o hall de entrada-- serão mantidas. Na década de 50, época da sua inauguração, o Marrocos era o cinema mais luxuoso da cidade. Para o ano que vem, a Cinemark prevê inaugurar também um novo cinema no shopping Iguatemi, no último trimestre. O novo cinema do Iguatemi terá seis salas, totalizando 1.100 lugares, que ocuparão o oitavo e último piso do estacionamento, localizado atrás do prédio principal. O acesso será feito por escadas rolantes que sairão do corredor próximo ao restaurante America. A rede planeja ainda ampliar o complexo do shopping Metrô Tatuapé com mais seis salas --hoje são oito. A expansão ainda não tem data para sair do papel. Os cinéfilos da região da avenida Paulista serão beneficiados com a inauguração do Reserva Cultural 900, em março. No local do antigo cine Gazeta, o novo centro cultural, cuja reforma já está em curso, terá quatro salas de cinema, auditório e café. Logo na fachada do prédio, haverá uma grande mudança: o logotipo da Gazeta, estampado na enorme parede de concreto, será recortado por uma grande vitrine. A distribuidora Imovision é responsável pelo cinema e deve incluir muitos de seus lançamentos na programação das salas, além de realizar mostras específicas. "Como distribuidor, às vezes não conseguia colocar os filmes em exibição. Há menos espaço para os filmes independentes e de arte. É obrigação colocá-los no mercado da melhor forma possível", diz Jean-Thomas Bernardini, que coordena o projeto. Na abertura, ele pretende exibir "Quase Dois Irmãos", de Lúcia Murat, distribuído pela empresa. |