![]() Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte. E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em...bem, essa é a magia! Isso é SPOILER! Isso é cinema! TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE 101 Dálmatas 5 X 2 2 Filhos de Francisco 21 Gramas Abaixo o Amor Abraço Partido Aconteceu Naquela Noite Acquaria Adeus Lenin! Adorável Julia Adversário, O Agente da Estação, O Água Negra A.I. - Inteligência Artificial Albergue Espanhol Aladdin Alexandre Alfie - O Sedutor Alice no País das Maravilhas Aliens of the Deep Alien Vs.Predador Amadeus Amizade Sem Fronteiras, Uma Amor, Sublime Amor Anaconda 2: A Caçada da Orquídea Sangrenta Anjo da Morte, O Anjo de Vidro Antes do Pôr-do-Sol Anti-Herói Americano Aristogatas, Os Asas Atlantis - O Reino Perdido A um Passo da Eternidade Avental de Lili, O Aviador, O Balada para Satã Bambi Batman Begins Be Cool Bela Adormecida Bela e a Fera, A Beleza Americana Ben-Hur Bernardo e Bianca Bicicletas de Belleville Blade: Trinity Bob Esponja - O Filme Bom Dia, Noite Bonequinha de Luxo Branca de Neve e os Sete Anões Bridget Jones: No Limite da Razão Brigada 49 Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças Broken Flowers Buena Vista Social Clube Busca da Terra-do-Nunca, Em Cabaret Cabra-Cega Caçados por Sonhos Caché Caixa de Pandora Caldeirão Mágico, O Cama de Gato Camelos Também Choram Canção para Bobby Long, Uma Capitão Sky e o Mundo de Amanhã Carmen Carros Carruagens de Fogo Casa de Aréia Casa de Aréia e Névoa Casa Vazia, A Castelo Animado Cazuza: O Tempo Não Para Cellular Chamas da Vingança Chamado 2, O Chinatown Chung Ko. Cina Cidade Baixa Cidade de Deus Cimarron Cinderela CineGibi Cinema, Aspirinas e Urubus Código 46 Collateral Cold Mountain Como Era Verde Meu Vale Como perder um Homem em 10 Dias Constantine Contato de Risco Contra a Parede Contra Todos Coração Valente Corcunda de NotreDame, O Crimes em Wonderland Cruzada Dama e o Vagabundo, A Dalimatógrafo Dandelion Dear Wendy De Corpo e Alma Delamu De-Lovely Destino Desventuras em Série Dia Depois de Amanhã, O Dia do Perdão Diários de Motocicleta Dinossauros Dogville Don´t Come Knocking Doze Homens e Outro Segredo Dumbo Educadores, Os Efeito Borboleta Election Elefante Elektra Em Boa Companhia Em Carne Viva Em Nome de Deus Encantadora de Baleias Encontros e Desencontros Encoraçado Potemkin, O Entrando numa Fria Maior Ainda Entreatos Entre Casais Entre Dois Amores ...E o Vento Levou Escola de Rock Espada era a Lei, A Espanta-Tubarões Esplanglês Esquecidos, Os Esses Homens Maravilhosos com suas Máquinas Voadoras Estranho Mundo de Jack, O Estranho no Ninho, Um Eterno Amor Eu, Robô Exorcista: O Início Expresso Polar, O Face Oculta da Lua, A Fahrenheit 9/11 Família da Noiva, A Família Rodante Fantasia Fantasia 2000 Fantasma da Ópera, O Fantástica Fábrica de Chocolate, A Feiticeira, A Filho de Chucky, O Fome de Viver Forrest Gump Galinho Chicken Little, O Gandhi Garfield Gigi Gladiador Golpe de Mestre, Um Goonies, Os Gosto de Sangue Grito, O Guerra dos Mundos (1953) Guerra dos Mundos (2005) Guia do Mochileiro das Galáxias Harry Potter e o Cálice de Fogo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban Heimat HellBoy Herbie: Meu Fusca Turbinado Hércules Herói Hitch - Conselheiro Amoroso Home at the End of the World Homem-Aranha 2 Horas, As Horror em AmityVille Hotel Rwanda Incríveis, Os Ilha, A Imagens Belas e Sujas Imperdoáveis, Os Interpréte, A Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas Invasões Barbaras, As Irmãos Irmão Urso James Bond - Pte.1 James Bond - Pte.2 James e o Pessêgo Gigante Janela da Frente, A Jogador de Cartas Jogos Mortais Kedma Ken Park Kill Bill Vol.1 Kill Bill Vol.2 Kinsey Kramer Vs. Kramer Kung-Fusão Laços de Ternura Last Days Lawrence da Árabia Lenda do Tesouro Perdido, A Lenhador, O Life and Death of Peter Sellers Liga Extraordinária, A Lilo & Stitch Lost Zweig Luta Pela Esperança, A Luz é Para Todos, A Machuca Macunaíma Madagascar Madrugada dos Mortos Má Educação Mais Uma Vez Amor Malvada, A Manderlay Mansão Mal-Assombrada, A Man to Man Mar Aberto Mar Adentro Mar de Fogo Maria Cheia de Graça Matadores de Velhinhas Match Point Mate Seus Ídolos Melinda e Melinda Melodia na Broadway Menina de Ouro Menina Santa, A Mente Brilhante, Uma Mercador de Veneza, O Mestre dos Mares Meu Tio Matou um Cara Moça com Brinco de Pérola Mogli, O Menino Lobo Mondovino Monster - Desejo Assassino Monstros S.A. Moulin Rouge Mulan Mulher-Gato My Fair Lady Na Companhia do Medo Nem Que A Vaca Tussa Nem Tudo é o Que Parece Nenhum Lugar da África Nina Ninguém Pode Saber No Calor da Noite Noiva da Síria, A Noivo Neurótico, Noiva Nervosa Notre Musique Nova Onda do Imperador Noviça Rebelde, A Old Boy Olga Oliver! Oliver e seus Companheiros Operação França Operário, O Or Osama Outra Face da Raiva, A Outro Lado da Rua, O Paixão de Cristo Palíndromos Papai Noel às Avessas Paradise Now Party Monster Passagem Azul Passagens Patton, Rebelde ou Herói? Peixe Grande Pequena Sereia, A Peões Perdidos na Noite Perto Demais Peter Pan (2003) Peter Pan (1953) Pinocchio Piratas do Caribe Planeta do Tesouro Platoon Pocahontas Poderoso Chefão, O Ponte do Rio Kwai, A Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera Procurando Nemo Procura-se um Homem que Goste de Cachorros Profecia dos Sapos, A Provocação Puff - O Ursinho Guloso Quanto Mais Quente Melhor Quarteto Fantástico Quase Dois Irmãos Queda, A Questão de Imagem Rain Man Ratinho Detetive, O Ray Rebecca - A Mulher Inesquescível Redentor Reencarnação Rei Arthur Rei Leão, O Resident Evil 2 Revelações Rios Vermelhos 2: Anjos do Apocalipse Robin Hood Robôs Rock, O Lutador Sahara Scooby-Doo 2: Monstros à solta Seabicuit - Alma de Herói Secretária Segredo de Vera Drake, O Segredos de Família Sem Novidades no Front Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei Ser e Ter Sétimo Selo, O Shakespeare Apaixonado She Hate Me Shrek 2 Sideways Silêncio dos Inocentes, O Simplesmente Amor Sin City - A Cidade do Pecado Sindicato de Ladrões Sinfonia em Paris Spartan Sob o Domínio do Mal Sob a Névoa da Guerra Sob o Sol da Toscana Sobre Café e Cigarros Sobre Meninos e Lobos Sociedade de Jesus Sogra, A Sol Sonhadores, Os Sorriso de MonaLisa, O Soy Cuba Sr. e Sra. Smith Starsky & Hutch Star Wars: Ameaça Fantasma Star Wars: O Ataque dos Clones Star Wars: A Vingança dos Sith Star Wars: Uma Nova Esperança Star Wars: Império Contra-Ataca Star Wars: Retorno de Jedi Super Size Me - A Dieta do Palhaço Supremacia Bourne S.W.A.T Tarzan Team America - World Police Ten Teorema Terminal Terra da Fartura Terra dos Mortos Terra dos Sonhos THX 1138 Tickets Tiros em Columbine Titanic Toy Story Três Enterros de Melquiades Estrada, Os Três Vidas e um Destino Tróia Tron - Uma Odisséia Eletrônica Underworld: Anjos da Noite Último Imperador, O Último Samurai Um Tiro no Escuro Van Helsing Viagem do Coração Vida de Inseto Vida é um Milagre, A Vida Marinha com Steve Zissou Vila, A Volta ao Mundo em 80 Dias, A (2004) Vôo Noturno Voz do Coração, A Wayward Clouds, The Where the Truth Lies Whisky Wimbledon Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida Zaitochi |
30.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 45: "Nem Que a Vaca Tussa" - 2004Chegamos ao fim de uma era. Com a estréia de "Nem que a vaca tussa" (Home on the Range - 2004), estamos - até segunda ordem - órfãos dos desenhos animados tradicionais da Walt Disney. Foi lá que surgiram clássicos como "Branca de Neve e os sete anões" (1937), "Pinóquio" (1940) e "Bambi" (1942), na chamada era de ouro, e ainda "A bela e a Fera" (1991), "Aladdin" (1992) e "O Rei leão" (1994), na retomada de interesse pelos desenhos nos anos 1990. Mas os chefes dos estúdios decidiram parar a animação quadro a quadro e investir apenas na que é feita por computação gráfica, como "Toy Story", "Vida de Inseto", "Monstros S.A." e "Procurando Nemo". Sem se preocupar muito com este futuro incerto, a equipe da Disney liderada por Will Finn e John Sandford - estreantes como diretores de longa, mas veteranos na arte de animar desenhos - foi literalmente até o oeste dos Estados Unidos buscar inspiração para esta última empreitada. Não chega a ser nenhum segredo que, guardadas as mudanças de cenários e personagens, a Disney sempre contou o mesmo filme. Um evento qualquer perturba o equilíbrio de uma comunidade, que se vê diante de pouquíssimas esperanças até o surgimento de um herói. O mais desajeitado e improvável, melhor. Aí entram as vacas. Quando o temido Alameda Slim começa a roubar o gado das fazendas da região, o dono da vaca leiteira Maggie fica com uma mão na frente e outra atrás e resolve doar o animal para uma amiga fazendeira. O problema é que essa fazenda está correndo um sério risco: endividada até o pescoço, Pearl, a fazendeira, pode perder as suas terras, caso não pague o que deve. Sem nada a perder, a nova vaca convence Calloway e Grace a saírem juntas em busca de uma solução para o impasse --o que inclui participar de um concurso de beleza para animais do campo e da caçada ao lendário ladrão Slim. Três vacas gordas caçando? Conta outra... O humor absurdo, um pouco na linha da safra recente de séries animadas --alguém falou em "A Vaca e o Frango"?--, é um dos pontos altos do longa. Bem como o são, com alguns poucos deslizes de estilo, as vozes dos personagens carregadas de sotaque e expressões caipiras que transportam "Nem que a Vaca Tussa" do Meio-Oeste americano direto para o interior de São Paulo ou de Minas Gerais. Mas, voltando ao início, o fato é que, tirado o couro da vaca, nada sobra que não o mais manjado argumento clássico dos filmes da Disney. Já sabemos onde vai acabar tudo aquilo. O conservadorismo faz todo o sentido considerando que "Nem que a Vaca Tussa" pode ser, de acordo com os próprios funcionários dos estúdios de animação, a última bala na agulha da companhia no campo da animação tradicional, em 2D. Daí que ninguém queria errar a mão: aproveita-se a carcaça, mudam-se as aparências e, muitas vezes em prejuízo do próprio ritmo e coerência da narrativa, faz-se de tudo para deixar tudo amarradinho no final. "Nós vamos capturar esse vilão nem que a vaca tussa." Encaixado mais ou menos nesses termos, só para justificar o título em português, não é exatamente esse o sentido do dito popular, geralmente usado para expressar a impossibilidade de um acontecimento. Engraçadinho, porém digno de encerrar a carreira outrora brilhante dos clássicos estúdios Disney? Mas nem que a vaca tussa! 29.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 40: "Lilo & Stitch" - 2002''Lilo & Stitch'', de Chris Sanders (''Mulan'') e o novato Dean Deblois, a nova produção da Disney é divertida, engraçada e sem grosserias. Merece o sucesso obtido nos Estados Unidos e também aqui (teve 190 mil pessoas no fim de semana de estréia, o que é bom considerando-se que tem pouco interesse para o publico adulto - dos desenhos recentes, este é o mais infantil deles). Eu consegui ver a versão original com legendas (embora nenhuma das vozes seja especialmente notável, em geral feitas por atores orientais como Tia Carrere e Jason Scott Leigh, que não tem sotaque pesado). Tem um prólogo um pouco longo, quando ficamos sabendo que Stitch (ele ainda não ganhou o nome que lhe será dado depois pela heroína Lilo) é uma experiência feita por um cientista meio louco chamado Jumba que tentou criar uma máquina de destruição chamada Protótipo 626. Num planeta distante, condenado a destruir sua criação, acidentalmente a máquina vem parar na Terra, caindo numa ilha paradisíaca nos mares do Sul, provavelmente o Havaí. Ali vive a menina Lilo, considerada estranha pelas colegas e que perdeu os pais. A irmã tenta cria-la mas com vários problemas, inclusive a interferência de um assistente social que deseja tirar a menina dela. Para complicar vem atrás de Stitch o cientista e mais um agente com a missão de destrui-lo. Aos poucos Stitch, que é tratado como um animal doméstico, um cão, vai se afeiçoando à menina. E embora continue a seguir seus instintos destrutivos, procura também se modificar. Muitas vezes com resultados desastrosos. Feito em técnica mista, o filme obviamente não tem participação dos outros personagens famosos da Disney que apareciam nos trailers (vocês viram? Eram muito simpáticos...). Mas mantém o espirito do estúdio. Tem uma boa moral fazendo o elogio da família, da união, da solidariedade, da moral de ''na família ninguém é deixado para trás'', sem cair em excessos ou pregações. É bem engraçado, leve, tem boas cenas (as melhores são aquelas dos personagens pegando surfe!), faz contínuas referências às canções de ''Elvis Presley'' (para ele é uma excelente propaganda, embora eu não esteja seguro de que as crianças irão compreender as citações - é que Lilo é fã dele e fica ouvindo suas musicas). Há umas poucas canções originais havaianas (mas em off, e não cantadas). É especialmente bonito visualmente e não tem qualquer pudor em se deixar influenciar pelos desenhos japoneses (a que por vezes faz lembrar) e os antigos da Toons Warner (por causa do estilo de humor). Ou seja, é dos melhores desenhos recentes da Disney (embora não chegue aos pés dos da Pixar, como o ''Monstros S.A.'').Recomendado. Por Rubens Ewald Filho 28.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 35: "Fantasia 2000" - 2000Sessenta anos depois, uma das maiores obras do estúdio ganha sua seqüência, como Walt Disney havia originalmente imaginado. Para alguns, "Fantasia 2000" foi uma decepção, comparando ao filme que o originou. Eu não o vejo assim. Verdade, a seqüência não conseguira superar o de 1940, mas eu acredito que podemos coloca-los no mesmo patamar. Felizmente, o público pareceu aprovar a nova versão- ao menos parte dele. "Fantasia 2000" foi o primeiro animado da Disney a ser exibido nas gigantescas telas IMAX, e lucrou mais de $60 milhões- um recorde para um filme IMAX. Infelizmente obteve uma raquítica bilheteria nos cinemas tradicionais ao redor do mundo. Apesar de "Fantasia 2000" não ter a mesma liberdade que teve "Fantasia", eu ainda acho que o novo proporciona mais entretenimento que o outro. O novo animado tem apenas 74 minutos, o que significa que ele acaba deixando o espectador com o sentimento que tudo passou extremamente rápido. "Fantasia 2000" traz 7 novos segmentos e a volta de "O Aprendiz de Feiticeiro" do "Fantasia" original, agora restaurado. 5a Sinfonia O primeiro segmento é a "5a Sinfonia" de Bethoven. O público certamente irá identificar rapidamente a música, que é acompanhada de formas triangulares que voam sobre belíssimos cenários pintados em pastel. Pinheiros de Roma O próximo segmento é o menos imaginativo de todos, mas ainda pode ser considerado um dos mais belos. É "Pinheiros de Roma", composição de Ottorino Respighi. Os animadores desconsideraram totalmente o título e criaram baleias voadoras feitas no computador. O desenho não tem uma história definida, mas é bastante agradável aos olhos e ouvidos. Rapsódia em Blue O segmento mais criativo está por vir: "Rapsódia em Blue", com a música de George Gershwin. Vemos aqui um desenho feito claramente para os adultos, onde acompanhamos os conflitos pessoais de quatro personagens nova-iorquinos. Destaque para a inspiração visual do artista Al Hirschfeld, cuja foi incorporada na animação. Uma curiosidade é que "Rapsódia" foi produzido para ser um curta independente de "Fantasia 2000", mas Roy Disney gostou tanto do desenho que resolveu incorporá-lo ao longa-metragem. Isto pode ser percebido, já que este segmento tem uma duração maior que os demais. O Soldadinho de Chumbo Baseado na obra de Hans Cristian Andersen, "O Soldadinho de Chumbo" é apresentado ao som da composição "Piano Concerto No. 2, Alegro, Opus 102" de Dimitri Shostakovich. Assim como em "Pinheiros de Roma", enquanto os personagens foram criados digitalmente, os cenários foram feitos tradicionalmente. Felizmente, ambos os elementos casam perfeitamente, apesar de que é possível notar a idade do segmento pelas técnicas de animação- foi produzido em meados de 92, quando a animação digital ainda estava em sua fase inicial. Assim como em "A Pequena Sereia", o final mais trágico da obra de Andersen foi transformada em um final feliz que segue a linha tradicional da Disney. O Carnaval dos Animais Eric Goldberg, diretor da "Rapsódia" foi responsável por outro dos melhores segmentos da fita, "O Carnaval dos Animais" de Camille Saint-Saëns. O que aconteceria se você desse um yo-yo à um bando de flamingos? A resposta é mostrada nesse colorido segmento, e infelizmente, o mais curto. Com certeza vai arrancar boas gargalhadas dos espectadores. O Amprendiz de Feiticeiro / Pompa e Circunstância Seguindo encontramos dois seguimentos estrelados por dois personagens clássicos da Disney: Mickey Mouse e Pato Donald. "O Aprendiz de Feiticeiro" do compositor Paul Dukas vem do "Fantasia" original, e o inédito "Pompa e Circunstância" (música de Edward Elgar) mostra Donald como o atrapalhado ajudante de Noé. É impossível imaginar "Fantasia" sem "O Aprendiz", mas, assim como "Pompa", pode-se sentir certa jogada de marketing por trás de ambos os segmentos. Afinal, ter dois dos personagens mais famosos do estúdio ajuda bastante a promover o filme, certo? Tudo bem, pois quem ganha é o espectador, pois ambos os segmentos são impecáveis em todos os aspectos. O Passáro de Fogo Para fechar "Fantasia 2000" com chave do ouro, a belíssima composição de Igor Stravinsk, "O Pássaro de Fogo" ganha vida em um desenho tão poderoso quanto a música que o originou. Os irmãos Gaëtan Brizzi e Paul Brizzi foram encarregados da direção do segmento e, palmas para eles, pois fizeram um pequeno grande filme, poderoso e ousado em todos os sentidos. Disney não pecou em qualidade neste novo filme. Talvez os seus únicos baixos sejam os intervalos entre os segmentos, onde astros de Hollywood fazem brincadeiras sem graça em frente à um cenário digital (belamente construído, na verdade). O que importa é que "Fantasia 2000" diverte até aqueles que não são grandes fãs do filme original. Faz você se sentar em frente a uma tela por 75 minutos e sentir que apenas meia hora se passou. Walt deve estar olhando orgulhoso, lá do Disney's Heaven. Por Matheus Mocelin Carvalho - Animatoons 27.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 30: "Mulan" - 1998A Disney costuma descrever com o termo "clássicos", os filmes produzidos em seus principais estúdios de criação. Desta forma, muitos titulos trazem o termo "Clássico Disney", mas nem todos merecem ser considerados obras-primas da animação. "Mulan" merece as duas considerações. O filme foi o primeiro trabalho desenvolvido no estúdio da Flórida, o qual ainda seria responsável por bons titulos como "Lilo & Stitch" e "Irmão Urso" antes de seu fechamento em 2004, e trouxe de volta a unânimidade de crítica e público aos titulos de animação da Disney. Com uma trilha sonora de primeirissima linha, "Mulan" foi indicado ao Oscar de melhor trilha sonora - Comédia/Musical, recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro de melhor trilha sonora e Melhor canção original ("Reflection") e uma indicação ao Grammy, na categoria de melhor canção composta para um filme ou série de TV ("True to your heart"). Com traços suaves e mesmo assim apresentando belíssimos cenários, a animação recebeu grande destaque dos meios de comunicação especializados, pela ousadia em se mostrar tomadas aéreas e multidões que se movimentavam com perfeição. O espetáculo visual, cujo destaque ficou para a grande cena da batalha nas montanhas, usou recursos de computação gráfica com riqueza e sutileza impressionantes. *A verdadeira lenda de Mulan surgiu de um clássico da literatura chinesa, chamado "Poema de Mulan". A história se passa em um período de conflitos e a corte imperial ordena que cada família envie um homem ao Exército. A jovem Hua Mulan (que significa "magnólia") resolve ir à guerra no lugar de seu pai, que está velho e doente. Disfarçada de soldado, Mulan destaca-se entre os combatentes e se torna general. Ao voltar vitoriosa, após 12 anos de batalha, ela renuncia a todos os cargos para cuidar do pai. O imperador manda, então, seu marechal à casa de Mulan para lhe conceder prêmios. O poema termina assim: "Substituindo sua farda de batalha por traje de menina, acariciou a bela trança diante da janela e pintou as sobrancelhas perante o espelho. Então foi saudar seus colegas, e todos ficaram espantados: 'Doze anos estivemos juntos e ninguém soube que Mulan era menina'". A Disney, é claro, tomou algumas liberdades para contar sua versão da história de Mulan, e mesmo dedicando vários cuidados para não ofender a cultura do país, chegou a causar um certo descontentamento entre o público chinês. Ainda assim, o filme arrecadou mais de 300 milhões de dólares em bilheteria mundial, e rendeu uma continuação lançada em 2004 diretamente em home-video. Da redação do Animatoons 26.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 25: "O Rei Leão" - 1994A história conta como o filhote de leão Simba teve de encarar e superar as malvadezas e armadilhas do vilão e próprio tio Scar para ocupar o trono do rei, que lhe era de direito. Junto com os amigos Nala, Pumba e Timão o leãozinho Simba é a estrela do filme. "O Rei Leão" é uma adaptação da peça de teatro "Hamlet", do escritor inglês William Shakespeare. Quando Simba fica órfão do pai, o rei Mufasa, se vê diante da cobiça e a violência do tio Scar. Este usurpa o trono que deveria ser do leãozinho. É quando Simba, já adulto, trava contato com o fantasma do pai e é convencido de que tem de lutar pelo trono do reino e acabar com a tirania de Scar. 25.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 20: "Oliver e seus Companheiros" - 1988O gatinho Oliver, perdido nas ruas de Nova York, se torna amigo do cão Dodger. Mais tarde, depois de ser adotado por uma garotinha rica, Oliver é seqüestrado, já que o vagabundo Fagin vê no bichano um bom jeito de saldar sua divida com o vilão Sikes. O cobrador, porém, é desalmado o bastante para trocar o gato pela menina. Este desenho é uma adaptação do clássico juvenil Oliver Twist, de Charles Dickens. Foi também o primeiro sucesso da Disney nos anos 80, mesmo tendo uma história frágil, que se sustenta apenas por alguns bons personagens (em especial o chihahua Tito, na voz de Cheech Marin) e por uma perseguição empolgante. O grande destaque desse filme é a inclusão de onze minutos de animação em computador, um feito para época. 24.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 15: "Robin Hood" - 1973A história do arqueiro medieval que roubava dos ricos para dar aos pobres é transportada para o reino animal. Assim, Robin e Lady Marian são raposas, e o príncipe João, um leão. Participam do filme o urso João Pequeno, melhor amigo de Robin, o senhor Chio, uma cobra conselheira do príncipe, o xerife de Nottingham, um lobo. E, como coadjuvantes, coelhinhos, corujas e tartarugas. Toda a história é narrada pelo Galo Trovador, responsável também pelas músicas, algumas em estilo country. O enredo é conhecido: o rei da Inglaterra, Ricardo Coração de Leão, parte para uma cruzada, e seu irmão João assume o trono. Logo ele se revela um tirano, que aumenta os impostos até colocar toda a população na miséria. O arqueiro Robin Hood se rebela contra a tirania do príncipe, um leão covarde que chupa o dedo quando tem medo, e se torna ladrão para ajudar os pobres. 23.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 10: "A Bela Adormecida" - 1959O longa-metragem "A Bela Adormecida" - uma fantasia clássica animada ao som da música de Tchaikovsky - foi lançado originalmente em 1959. Na época de seu lançamento, este espetáculo em 70mm widescreen, no qual o amor a tudo vence, foi uma experiência ousada para Disney e seus artistas e também um grande avanço para a arte da animação. Em sua adaptação da versão do século XVII de Charles Perrault de um famoso conto de fadas, a equipe de artistas dos estúdios Disney criou um filme absolutamente encantador, dramático e divertido. De sua abertura tradicional à moda dos contos de fadas à ação frenética da cena climática do duelo contra o dragão, o longa-metragem, A Bela Adormecida (Sleeping Beauty), é até hoje considerado uma das obras-primas de animação de Disney. O desenvolvimento preliminar de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) teve início em 1950, com a produção atingindo seu auge em 1953. A produção do filme, entretanto, sofreu atrasos enquanto Walt Disney se dedicava à construção da Disneylândia e a vários projetos do estúdio para a televisão. Finalmente, após mais de seis anos de produção, o filme de 75 minutos foi concluído, a um custo de US$6 milhões de dólares, o que fez dele o longa de animação mais caro jamais produzido até então. Parte deste custo deveu-se ao formato Technirama widescreen em bitola 70mm, que exigiu uma animação mais complexa e cenários de maiores proporções para encher a tela, e que levou mais de 300 artistas e técnicos a criarem mais de um milhão de esboços e desenhos. A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) conta com um elenco impressionante de grandes intérpretes. A cantora de ópera Mary Costa dubla a voz doce e interpreta as canções da princesa Aurora, enquanto o cantor Bill Shirley dublou a voz de seu príncipe encantado. Walt Disney solicitou pessoalmente a contratação de Eleanor Audley, que havia feito um trabalho magistral dublando a madrasta má de Cinderela, para o papel da fada malvada, Malévola. A dubladora veterana Barbara Luddy, ouvida anteriormente em A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp), interpretou o papel de Primavera e outra colaboradora constante dos estúdios Disney, Verna Felton, dublou a voz de Flora. Felton, já falecida, dublou também outros personagens Disney bastante famosos, como a mãe de Tambor, de Bambi, a matriarca dos elefantes de Dumbo, a divertida fada madrinha de Cinderela (Cinderella), a irritada Rainha Vermelha de Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) e a cáustica tia Sarah, de A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp). A comediante Barbara Jo Allen dublou Fauna. Dentre todos os contos de fadas clássicos adaptados por Disney para as telonas, A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) ocupa um lugar de destaque. Walt Disney instigou seus artistas a criarem "ilustrações em movimento", isto é fazer com que cada fotograma tivesse vida independente do filme em si, como uma bela ilustração. Ele pediu à sua equipe de animadores que "criassem personagens os mais reais possíveis, quase de carne e osso, e que se identificassem com eles". Como modo de garantir isso, modelos-vivos foram filmados para servir como objeto de estudo e de referência aos artistas. A fim de enriquecer o visual ilustrativo do filme, Disney requisitou os serviços de um grande ilustrador de cenários do estúdio, o talentoso artista Eyving Earle. Earle fez uma fusão das influências góticas francesas, italianas e renascentistas com seu próprio estilo abstrato de realismo, criando a beleza formal e o desenho estilizado que se vê em A Bela Adormecida (Sleeping Beauty). Um dos exemplos desta técnica consistia em desenhar objetos em primeiro plano com a mesma definição com que se desenhava uma árvore ao fundo, a 15km de distância. A influência de Earle também pôde ser sentida no desenho dos personagens, cujo traço era marcadamente vertical e angular, em contraste com os desenhos mais arredondados e suaves das produções de animação anteriores do estúdio. Quando o trabalho de animação de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) encontrava-se a pleno vapor, em meados da década de 50, os maiores animadores dos estúdios Disney - conhecidos como os "nine old men, numa referência sarcástica aos cabeças da Suprema Corte do presidente Roosevelt - estavam no auge de sua forma artística. Em seus filmes anteriores, como Branca de Neve, Pinóquio e Bambi, eles já haviam demonstrado a viabilidade de produções de animação na forma de longa-metragem, e também que personagens bidimensionais de cartoons, desenhados à mão, poderiam conquistar o coração e a imaginação dos espectadores de cinema. A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) foi para eles seu maior desafio até então, tanto em termos estilísticos quanto narrativos. Eric Larson, um dos maiores animadores dos estúdios Disney e diretor de seqüências de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty), relembra que houve um esforço consciente no sentido de dar ao filme um visual inédito e de torná-lo o mais perfeito possível. "Após uma reunião de roteiro, Walt me disse que não se importava com o tempo que a produção do filme levaria, contanto que fizéssemos tudo direito", conta Larson. "Foi um desafio fazer algo que jamais havíamos feito anteriormente." Houve mais reuniões da equipe de roteiristas de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) do que em qualquer produção anterior do estúdio, unicamente com o intuito de dar ao conto de fadas de Perrault a forma ideal segundo os propósitos dos animadores. A história original contava com sete fadas, não incluía o duelo com o dragão e Malévola era uma bruxa horrenda, apropriadamente chamada Uglyane. "A primeira seqüência que animamos", relembra Larson, "é aquela na qual a princesa está passeando no bosque com os animais e falando acerca de seu amado príncipe. Walt tinha uma predileção por começar a produção com uma cena do meio do filme, pois isso proporcionava à equipe uma oportunidade ideal para desenvolver os personagens e suas personalidades." A atriz veterana Helene Stanley, que durante 14 anos trabalhou como a maior modelo do desenho das heroínas Disney, serviu de inspiração aos artistas na criação dos movimentos graciosos da princesa Aurora. Ela também serviu de modelo e inspiração para Cinderela e Anita (101 Dálmatas). Com seus olhos amendoados, queixo pontudo, nariz minúsculo e movimentos corporais muito expressivos, Stanley era convocada sempre que se tratava de uma cena difícil com personagens humanos. Os animadores trabalhavam com ampliações dos fotogramas das imagens live-action dos artistas e, sem no entanto copiar o traçado por cima, convertiam e redesenhavam o que viam na forma de caricaturas, concentrando-se no estilo do traço escolhido e em áreas determinadas da cena. Stanley relembra seu trabalho em A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) como sendo uma experiência com um grande nível de exigência: "Tudo precisava ser absolutamente perfeito, todos os movimentos precisavam ser corretos", conta ela. "Ensaiamos a cena grandiosa da valsa durante três dias antes que ela fosse filmada. Eu tive de usar um figurino confeccionado sob medida para mim, uma peruca incômoda e também decorar todas as falas." O animador Marc Davis, um dos maiores artistas e desenhistas de personagem do estúdio, criou e animou a maior parte das cenas de Aurora e Malévola. No desenho de Malévola, Davis optou por uma abordagem única e discreta, tornando-a uma mulher de grande dignidade e beleza, e não a caricatural bruxa-vilã dos filmes anteriores. Sua beleza é fria e perversa e seus movimentos são graciosos e seguros. Segundo Davis, animar Malévola foi um desafio. "Em quase todas as suas cenas, ela está fazendo algum discurso ou lançando feitiços", conta ele. "Ele tinha muito pouco contato íntimo com os demais personagens." Davis conseguiu superar algumas dessas limitações dando à personagem um visual interessante e presenteando-a com um bicho de estimação como comparsa - um corvo espião. Inspirado por uma imagem religiosa tirada de um livro de arte tcheco-eslovaco, Davis fez inúmeros testes com formas como a de uma labareda de fogo, de chifres e ondulações, em cores triangulares. Malévola usa um traje longo negro e esvoaçante, com uma textura que lembra a de um réptil, o que facilitou sua transformação na pele escamosa do dragão no qual ela se transforma posteriormente. Seu chapéu lembra os chifres de uma cabra e a parte que emoldura seu rosto foi inspirada nas asas de um morcego. O falecido Woolie (Wolfgang) Reitherman, outro dos "nine old men", dirigiu uma das seqüências mais espetaculares do filme - o duelo mortal entre o príncipe e o dragão, que foi animado primordialmente por Eric Cleworth. Reitherman especializou-se como diretor e animador de cenas de ação, como por exemplo a batalha dos dinossauros de Fantasia, o ataque da monstruosa baleia de Pinóquio (Pinnocchio) e a hilária cena da perseguição em alta velocidade, de The Legend of Sleepy Hollow, na qual Ichabod Crane é perseguido por um cavaleiro sem cabeça. Subseqüentemente, ele dirigiu e/ou produziu todos os longas animados dos estúdios Disney, de A Espada Era a Lei (The Sword in the Stone) até O Cão e a Raposa (The Fox and the Hound). Reitherman faleceu em 1985. Os animadores Frank Thomas e Ollie Johnston - que, juntos, contaram a toda a história da animação Disney num livro intitulado Disney Animation: The Illusion of Life - deram vida às três fadas. Outro renomado animador Disney, Milt Kahl, criou um príncipe Felipe simpático e convincente. A Bela Adormecida (Sleeping Beauty), uma realização técnica espetacular que aproveitou-se de todos os recursos do formato widescreen, foi o primeiro longa-metragem animado a ser filmado em bitola 70mm. Empregando um processo até então inédito, chamado Technirama-70, os artistas Disney foram capazes de criar cenas panorâmicas em um Technicolor reluzente, incluindo uma animação cheia de minúcias de detalhes. A ilusão impressionante de profundidade de campo e dimensão do filme é fruto do casamento dos recursos da câmera de planos múltiplos e do widescreen. Na filmagem em bitola 70mm, o filme corre na câmera na horizontal, e não na vertical, com as imagens expostas em fotogramas duplos de 35mm. O negativo Technirama é copiado em 70mm e projetado através do modo convencional nos cinemas. "O complexo processo Technirama impôs um enorme trabalho extra aos artistas", afirmou Walt Disney, em 1959. "Eles tiveram de movimentar seus personagens num campo de ação muito maior. Os cálculos matemáticos se tornaram muito mais intrincados. Todas as fases do desenho e da mecânica, que, juntas, compreendem a animação, tiveram de ser repensadas." As animadores reclamaram do trabalho num formato apelidado por eles de "abertura de caixa de correio" e das complicações para se contrabalançar a ação no centro da tela com o preenchimento das laterais com mais personagens coadjuvantes. O formato de grande largura por uma altura estreita também impôs limitações nas tomadas em plano fechado. Desde os primórdios de sua carreira, Walt Disney reconheceu a importância da música em seus longas de animação. A série de cartoons, Silly Symphony (1929-1939), permitiu a ele experimentar livremente com estas duas formas tão diversas de arte e preparou seus artistas para o desafio que seria a produção de Fantasia. Disney sempre admirou a expressividade do balé "A Bela Adormecida", de Tchaikovsky, e sempre considerou-o uma parte fundamental do processo de criação de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty). Segundo o diretor de seqüência, Woolie Reitherman, "Walt queria um equivalente visual perfeito para àquela eloqüência musical." George Bruns, um músico renomado e um dos maiores compositores do estúdio, foi convocado para fazer uma adaptação artística das canções românticas e das orquestrações da peça clássica de Tchaikovsky. Ele viajou à Alemanha para gravar a música interpretada pela Orquestra Sinfônica de Berlim, com o que havia de mais moderno na época: um equipamento estéreo de seis canais. Ao longo de sua adaptação, Bruns reunia-se constantemente com os animadores que estavam criando os personagens e os storyboard para trocar idéias. A música foi criada especificamente para se casar com a ação da história, transformando o ritmo do balé no tempo da animação. A trilha musical do filme inclui cerca de um terço do balé original. O balé "A Bela Adormecida", que Tchaikovsky considerava uma de suas melhores criações, foi apresentado pela primeira vez em São Petersburgo, Rússia, em 1890. Na íntegra (um prólogo e três atos), o balé tem a duração de duas horas e 45 minutos. A trilha instrumental de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) é uma coadjuvante da ação nas telas - a música acentua o apelo emocional da história, conferindo ainda mais impacto e emoção às cenas de amor entre o príncipe e a princesa, às cenas cômicas das três fadinhas e à cena climática do duelo final entre o príncipe e o dragão. O filme inclui ainda cinco canções retiradas do balé original, que ganharam letras e foram transformadas em temas dos personagens. "Once Upon a Dream" e "I Wonder" são interpretadas por Mary Costa. As demais são "Hail the Princess Aurora", "The Sleeping Beauty Song" e a cômica canção celebratória "Skumps", interpretada pelos dois reis. 22.6.05
Walt Disney - A Arte de Sonhar...![]() Parte 5: "Bambi" - 1942Em meio à 2ª Grande Guerra Mundial, Walt Disney lançava um de seus maiores filmes, "Bambi" de 1942. O filme entrou em produção no ano de 1936 e Walt pretendia lançá-lo como seu segundo longa de animação, depois de "Branca de Neve e os Sete Anões", de 1937. Mas o nível de detalhamento que Walt exigia do filme, custou nada mais nada menos do que seis longos anos até que o filme fosse finalizado. O filme demorou tanto tempo até estrear, que 5 filmes animados foram lançados na sua frente. Com "Branca de Neve", Walt conseguiu recuperar cada centavo gasto em sua produção, mas logo ele contrairia outra dívida para que "Bambi" pudesse ser levado a diante. Em meio a grande crise que assolava todo o planeta durante o período de guerra, Walt conseguiu um grande feito quando vendeu a idéia do filme a um banco que resolveu fazer o empréstimo. Diferentemente de "Branca de Neve", "Bambi" não foi um sucesso imediato. Em seu lançamento original não conseguiu a bilheteria esperada, recuperando-se somente nos posteriores relançamentos do filme. Escrito por Felix Salten em 1923, "Bambi" surgiu em uma viagem que o autor fez pelos Alpes, onde se encantou pela vida selvagem do lugar. O livro foi publicado em Viena em 1926 e traduzido para o inglês dois anos mais tarde. O livro de Salten foi apresentado à Walt por um de seus animadores, Maurice Day. Walt pretendia fazer a premiere do filme na cidade natal de Day, como forma de agradecimento, porém, o estado da cidade de Maine contestou, com medo de uma represália partindo dos caçadores da cidade. Em 1930, Disney conseguiu os direitos do livro, e Felix que veio a falecer em 1945, não usufruiu do sucesso econômico de BAMBI, sendo sua filha, herdeira do legado, a conseguir contratos mais vantajosos com o estúdio. A história do pequeno cervo começa em uma manhã alegre, onde os animais da floresta vêm visitar o pequeno príncipe que acaba de nascer. Ao lado de sua mãe e seu amiguinho Tambor, um coelhinho bastante espevitado, Bambi começa um longo processo de aprendizagem. Sua primeira dificuldade: aprender a andar. Daí para frente Bambi embarca em uma aventura repleta de emoções, aventuras e romance! Para dar o máximo de veracidade à animação, Walt conseguiu que dois cervos, batizados de Bambi e Faline (nome dos personagens do filme), viessem morar no estúdio para servir de modelo para os animadores. Na verdade Walt transformou seu estúdio em um zoológico, pois além dos cervos haviam rãs, borboletas, pássaros, coelhos, veados e bois almiscareiros. Tudo isso para que os animadores pudessem se espelhar ao máximo nos movimentos dos animais e suas características mais marcantes. Os animadores passaram por muitas dificuldades até chegar no nível que Walt Disney queria. A primeira delas, foi fazer personagens que deveriam parecer reais e serem ao mesmo tempo cativantes para o público que assistia. Foi então que surgiu um garotinho meio desajeitado e que trouxe consigo toda a inspiração de que os artistas precisavam para tornar o filme mais agradável. O menino que fazia o teste para a voz do coelho Tambor, foi percebido por Frank Thomas e Ollie Johnson, que logo notaram que o que eles precisavam acrescentar era naturalidade em seus personagens, e o menino tinha isso de sobra. O diretor de elenco achou que o menino não tivesse talento algum, mas foi essa falta de talento que fez os animadores perceberem que os personagens infantis deveriam ser como crianças que habitam nossas vizinhanças, naturais e espontâneos. Os animadores também encontraram problemas para desenvolver algumas cenas do filme. A cena de Bambi e Tambor no gelo é um exemplo. As idéias iniciais não funcionavam no segmento, o que levou os responsáveis pelo filme a quase retirá-lo. Mas Frank Thomas via na cena grandes possibilidades, e montou um conjunto de storyboards que foi apresentado aos demais responsáveis pelo projeto, que acabaram aceitando a idéia de Thomas. A animação e os efeitos de "Bambi" foram muito importantes para a história dos desenhos animados. Vários efeitos que foram desenvolvidos para o filme são utilizados até hoje na animação tradicional. Um dos mais impressionantes utilizava um vidro ondulado para dar efeito de água a um lago por exemplo. Walt Disney revolucionou o modo de fazer animados quando desenvolveu uma câmera multi-planos, formada por várias camadas do plano de fundo. A câmera era utilizada principalmente para dar profundidade aos backgrounds, e em "Bambi" o seu uso foi de grande importância, já que nas cenas onde existia uma floresta muito densa, ela dava a impressão de profundidade. Um dos maiores exemplos do uso dessa câmera no filme, é a abertura, onde são mostrados vários cenários da floresta, todos com uma profundidade incrível. A arte de "Bambi" é algo muito bonito de se ver, principalmente pelas florestas que parecem ter saído diretamente de uma obra de arte. Os backgrounds foram todos produzidos por Tyrus Wong, um pintor de paisagens chinês que foi para os EUA ainda criança. È muito fácil perceber-se a influência chinesa que Tyrus deixou em suas paisagens. Pinturas muito detalhadas, com cores ricas, e formas rebuscadas. Tyrus chegou ao estúdio como um animador intermediário, mas ao saber que "Bambi" estava em produção, resolveu mostrar alguns de seus trabalhos a Tom Codrik, que o colocou no projeto. E foi realmente a escolha certa, pois o pintor fez das paisagens de Bambi algo que é lembrado até hoje pelos animadores da nova geração. A música em "Bambi" tem um papel fundamental. O filme tem pouquíssimo diálogo, o que deixa o desenvolvimento da história para as imagens que aparecem na tela e pela música. Logo, a música se faz necessária em praticamente todas as cenas. Composta por Frank Churchill, a trilha Sonora de "Bambi" é de uma sutileza impressionante. Seus auges orquestrais durante as cenas de ação e sua melodia e vozes em coral durante as cenas mais calmas, refletem todo o estilo de Edward Plumb, que trabalhou em "Fantasia" e desenvolveu a trilha secundária de "Bambi". Uma das músicas mais empolgantes, no entanto, acredito que seja de Churchill. No início do filme, passarinhos começam a assobiar uma melodia, e esta é tão entusiasmada que é difícil esquecê-la durante o filme. Sempre que falo dele, a música me vem a cabeça. "Bambi" foi indicado em 3 categorias ao Oscar, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção ("Love is a Song") e Melhor Som. "Bambi" reflete muito do que as pessoas viviam na época em que foi produzido. A imponência do do pai de Bambi, por exemplo, mostra exatamente o perfil paterno da época. Aquela imagem que tinha de ser respeitada e que estava acima do bem e do mal. Alguém que assiste o filme hoje em dia pode estranhar esse distanciamento entre um pai e seu filho, mas se olharmos para trás veremos que não exageraram quando fizeram o pai de Bambi desta maneira. Para percebermos como as coisas mudaram, basta olharmos para outro filme da Disney, "O Rei Leão", no qual Mufasa e seu filho Simba, mantêm uma relação de total companheirismo. A princípio, "Bambi" pode parecer um filme com um enredo fraco, que não chega a lugar nenhum. Mas o filme vai muito além de uma simples história, ele conta a maior de todas, a história da vida! Como nascemos, como crescemos, como nos acostumamos com certas situações, como nos sentimos frágeis, como lidamos com as perdas... Enfim, "Bambi" é o resumo da vida e assim sendo, é quase impossível não tirarmos algumas lições dele, que é um dos maiores clássicos do cinema! "Bambi" foi o último grande animado a ser produzido por Walt Disney em um período de oito anos. Os incentivos dos estúdios à guerra, e a produção de filmes em massa sobre o tema, deixaram todos os artistas mobilizados pela causa, deixando os grandes projetos de lado por um longo período. As dificuldades de conseguir incentivos fiscais para grandes produções, restrições em obter material de prioridade... Enfim, a crise econômica pela qual Walt Disney passou, refletiria na produção de seus filmes. O próximo grande animado seria "Cinderela", de 1950. Por Lóiam Torres - Animatoons 10.6.05
"A Janela da Frente" acha sua força ao beber na fonte de Bergman Foi um exagero premiar "A Janela da Frente" com cinco Donatellos, que corresponde ao Oscar italiano: melhor filme, atriz, ator, música e prêmio do júri para o diretor (Ferzan Ozpetek).
A história inventiva sofre com uma direção sem criatividade, um galã italiano inexpressivo vindo da televisão e uma trilha sonora muito mais presente do que seria realmente necessário. Mas sobra algum encanto à história de Giovanna, uma operária desiludida com o trabalho e com o marido fracassado que nutre uma paixão pelo vizinho da janela da frente. Seu imaginário vai ser despertado por uma outra história de amor: a de Simone, um senhor sem memória que o marido acha um dia na rua e, com pena, leva para casa. Para não estragar a surpresa do filme, basta dizer que o amor peculiar de Simone teve que enfrentar os horrores do nazismo na Segunda Guerra Mundial -e só sobreviveu a eles na memória. São nas cenas que misturam personagens do passado e do presente na memória do velho misterioso -diretamente inspiradas no Ingman Bergman de "Morangos Silvestres" (1957)- que o longa-metragem italiano encontra a sua força. Por Thiago Stivaletti |